Sara Mariano: Defesa abandona júri por motivo impactante e julgamento é cancelado

O júri popular do caso Sara Mariano, que estava marcado para a manhã desta terça-feira, 25, no Fórum de Dias D’Ávila, acabou sendo cancelado de última hora. A cena foi tensa. A defesa simplesmente deixou o plenário, alegando que não havia segurança nem estrutura mínima pra seguir com um julgamento desse porte — e olha que era um caso aguardado desde cedo, com gente na porta, imprensa alinhada e clima pesado, típico dos julgamentos que mexem com as redes sociais, como já vimos esse ano em outros casos de grande repercussão.

Os três acusados pelo feminicídio da cantora gospel — o viúvo Ederlan Santos Mariano, Weslen Pablo Correia de Jesus e Victor Gabriel Oliveira Neves — deveriam começar a ser julgados hoje. Mas a coisa desandou rápido. O advogado de Ederlan, Otto Lopes, disse que não dava pra continuar depois de perceber “indícios de falta de imparcialidade” no ambiente do julgamento.

Segundo ele, o Fórum não tinha condições físicas pra comportar um julgamento que poderia durar de dois a três dias, com mais de 11 advogados envolvidos. “Não tem estrutura física, nem segurança, nem espaço. O Ministério Público estava de pé, ao lado de onde os jurados se sentariam… isso compromete a imparcialidade”, relatou, bem irritado, deixando claro que não ia correr o risco de prejudicar a defesa num caso tão sério.

O advogado ainda reforçou que os réus vêm sendo hostilizados desde a audiência anterior — agressões verbais, xingamentos, aquela pressão popular que a gente sabe que cresce desde a viralização do caso nas redes, lá em 2023. Para ele, não haveria clima pra um julgamento justo naquele ambiente. Por isso, defendeu que o caso seja “desaforado”, ou seja, transferido para outra comarca, preferencialmente Salvador, onde o tradicional Fórum Ruy Barbosa tem estrutura pra comportar julgamentos complexos.

Mas o Ministério Público não gostou nada da mudança repentina. O promotor Audo Rodrigues lamentou o cancelamento e afirmou que havia, sim, segurança no local, inclusive com presença reforçada da Polícia Militar. Para ele, a ausência de argumentos sólidos da defesa sobre a inocência dos réus acabou gerando essa “saída estratégica”.

“Faltou argumentação. O resultado foi isso aí: uma completa deselegância e deslealdade processual, com gasto de dinheiro e tempo de todo mundo”, criticou o promotor, visivelmente contrariado com a situação.

O advogado da família da cantora Sara Mariano, Rogério Matos, também classificou o episódio como prejudicial — principalmente para os próprios réus, que continuarão presos até que uma nova data seja marcada. Segundo ele, a defesa passou meses afirmando que não havia provas contra seus clientes, mas, na hora decisiva, preferiu abandonar o plenário.

“Quando chegou o momento de mostrar isso, optaram por correr. Causaram um transtorno ao Judiciário e até à própria defesa”, afirmou Matos.

Relembre o caso

O crime ocorreu em 24 de outubro de 2023, na entrada do povoado Leandrinho. A morte da cantora gospel Sara Mariano chocou o país e dominou as redes por semanas, virando tema de debates, vídeos no TikTok e até lives de especialistas em segurança.

Entre os acusados está o marido, Ederlan, apontado como o mentor do assassinato. Ele teria agido com apoio de Weslen Pablo e Victor Gabriel. O trio responde por feminicídio qualificado — por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima — além de ocultação de cadáver e associação criminosa.

Em abril deste ano, outro envolvido, Gideão Duarte de Lima, foi condenado a mais de 20 anos de prisão. Ele era o motorista de aplicativo que levou Sara até o local onde foi morta.

Agora, com o júri cancelado, todo o processo deve atrasar ainda mais, reacendendo a frustração de familiares e seguidores da cantora, que aguardam justiça há mais de dois anos.



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