O policial civil Felipe Marques Monteiro, de 45 anos, finalmente deu um passo gigantesco na recuperação que mobiliza colegas de farda, familiares e até desconhecidos desde março deste ano. Depois de meses internado, ele deixou o Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital São Lucas, em Copacabana, nesta segunda-feira (24), e foi transferido para um quarto da própria unidade. A informação chegou ao público através do perfil oficial do agente no Instagram, que vem sendo atualizado pela família desde o dia do disparo que quase tirou sua vida.
A publicação do dia ganhou um tom de alívio que, segundo a própria esposa de Felipe, Keidna Marques, demorou a aparecer. Na mensagem cheia de emoção, ela comemorou a saída do marido do CTI e aproveitou para agradecer à equipe médica e aos profissionais que vêm acompanhando o caso desde o início — um time que, segundo ela, quase virou parte da família ao longo desses meses.
“Deixamos para trás dias intensos, duros, cheios de medo e incerteza, mas também recheados de fé, cuidado e força. Cada profissional que passou pelo nosso caminho deu um pouco de si para que a gente chegasse até aqui. A evolução que o Felipe teve nos últimos dias é mais que progresso… é um sinal de que Deus está conduzindo tudo, abrindo portas e iniciando uma nova etapa de cura”, escreveu Keidna, num desabafo que acabou repercutindo entre colegas da polícia e seguidores que têm acompanhado a luta do agente.
Felipe está internado desde 20 de março, quando foi atingido por um disparo na cabeça durante uma operação na Vila Aliança, na Zona Oeste do Rio. Naquele dia, ele atuava como copiloto de um helicóptero do Serviço Aeropolicial da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que dava apoio a uma ação contra uma quadrilha especializada em roubos de vans. Esse tipo de crime, aliás, voltou a ganhar força em algumas regiões do estado neste ano, segundo dados divulgados recentemente pela própria polícia — algo que intensificou operações aéreas e terrestres.
O disparo que feriu Felipe ocorreu em pleno voo, num momento em que a equipe dava cobertura a agentes em solo. Logo depois, o helicóptero precisou fazer um pouso emergencial, e o policial foi levado às pressas para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Ali, passou por uma cirurgia imediata. O estado era considerado gravíssimo, e as primeiras horas deixaram a família e os colegas sem saber se ele resistiria. Médicos chegaram a relatar que Felipe havia perdido cerca de 40% do crânio, o que exigiu cuidados extremos e uma série de procedimentos delicados.
No dia seguinte, 21 de março, Felipe foi transferido para o Hospital São Lucas, onde permanece até hoje. Desde então, passou por sessões de fisioterapia, terapias neurológicas e acompanhamento constante. Os boletins médicos divulgados ao longo dos meses mostravam uma recuperação lenta, mas contínua, algo que muitos chamavam quase de “milagre” — especialmente considerando a gravidade da lesão.
A progressiva melhora do policial acontece num momento em que o Rio de Janeiro vive mais uma onda de tensão na segurança pública, com operações quase diárias em comunidades e aumento de conflitos armados. A história de Felipe acaba se transformando também numa espécie de símbolo da rotina dura enfrentada por agentes que trabalham em cenários de risco permanente.
Agora, com a saída do CTI, a família fala em uma “nova fase”. Ainda não há previsão de alta, e o processo de recuperação deve continuar longo e cheio de desafios. Mas, para quem acompanhou o quadro crítico de março para cá, o simples fato de ele ter deixado a terapia intensiva já é celebrado como uma vitória enorme — da medicina, da fé e da insistência em continuar lutando.