A Justiça de São Paulo deu um passo importante — e bem curioso — no processo que envolve a herança deixada por Silvio Santos, morto em agosto de 2024, aos 93 anos. Depois de meses de discussão, idas e vindas, e aquela sensação de novela digna do próprio SBT, o tribunal determinou que um perito independente fosse nomeado para avaliar o tamanho real do patrimônio deixado pelo apresentador. A decisão atende a um pedido conjunto da viúva, Íris Abravanel, e das seis filhas, que hoje travam uma queda de braço com o governo estadual por causa da cobrança de imposto sobre valores mantidos fora do Brasil.
O perito já foi escolhido — informação confirmada ali nos bastidores próximos da família — e teve os honorários pagos pelas próprias herdeiras, que querem tudo preto no branco. Ele terá um prazo máximo de 60 dias para entregar o laudo. Assim que estiver pronto, o documento será anexado ao processo, que corre sob sigilo desde fevereiro. E esse sigilo não é por acaso. Segundo fontes próximas ao tribunal, os autos trazem detalhes bem sensíveis sobre a fortuna construída por Silvio ao longo de décadas, desde os tempos de camelô até o auge como dono de um conglomerado de comunicação, banco, empresa de cosméticos, enfim… um império.
De acordo com informações já divulgadas por quem teve acesso ao conteúdo, a herança total gira em torno de R$ 6,4 bilhões em bens, ações, imóveis, aplicações e dinheiro vivo. Mas o que realmente colocou mais lenha na fogueira foi um montante específico: cerca de R$ 429 milhões guardados em um paraíso fiscal. Esse dinheiro, mantido no exterior, virou o centro da briga judicial, especialmente porque o governo de São Paulo entende que cabe cobrar imposto sobre transmissão dessas quantias — o famoso ITCMD.
A família, porém, contesta. Segundo a defesa das herdeiras, esses valores estariam bloqueados fora do país e, por isso, não deveriam se submeter automaticamente à legislação brasileira. Mesmo assim, para evitar dor de cabeça maior — e talvez também para dar um ar de boa-fé ao caso — os R$ 17 milhões estimados de imposto foram pagos. Mas pago com ressalva: se a Justiça decidir lá na frente que a cobrança foi indevida, o dinheiro terá que voltar para os cofres dos Abravanel.
O procurador paulista Paulo Gonçalves da Costa Júnior afirmou em uma manifestação recente que parte dos recursos mantidos nas Bahamas não era de conhecimento público, apesar de Silvio ser, como ele disse, “notoriamente conhecido”. Uma fala que acabou repercutindo nas redes, principalmente porque, hoje em dia, qualquer coisa que envolva celebridade, herança e paraíso fiscal vira combustível pra debate — quase como aconteceu na novela Família É Tudo, da Globo, que viveu uma onda de memes meses atrás.
Já a assessoria do Grupo Silvio Santos rebateu rapidamente. Em nota, a equipe garantiu que todo o patrimônio sempre foi declarado no Imposto de Renda, sem exceção, e que não existe irregularidade na condução financeira do empresário. Segundo eles, a fortuna foi construída de forma transparente ao longo de mais de 60 anos de trabalho, e qualquer insinuação contrária “não condiz com a história do grupo”.
No fim das contas, o laudo do perito deve se tornar a peça-chave de toda essa disputa. É ele que vai determinar valores exatos, localizar bens, confirmar documentos e — no fim — dizer quem está com a razão nessa guerra silenciosa entre a família e o governo estadual. Até lá, resta acompanhar. E, como sempre acontece quando o assunto é Silvio Santos, ainda tem muita coisa pra rodar antes do “quem quer dinheiro?” final.