A prisão de Valdemar Ferraz Rosendo, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, encerrou uma caçada policial que durou mais de um ano e que envolve uma história dura, quase inacreditável até para quem convive com casos complicados no dia a dia. Ele é acusado de tentar matar a própria filha, num episódio que aconteceu lá em outubro do ano passado, em Itaguaí, e que voltou a repercutir agora com toda força — até porque o caso foi lembrado nas redes, em meio a debates sobre violência familiar que ficaram em alta nas últimas semanas.
Segundo as investigações, tudo começou com uma discussão entre Valdemar e a ex-companheira. A filha, de 32 anos, teria ido atrás dele para tentar resolver a confusão, ou pelo menos entender o motivo do desentendimento. Era final de tarde, aquele horário em que o trânsito começa a apertar e as pessoas ficam mais impacientes — detalhe que, por mais simples que pareça, às vezes ajuda a entender o clima em que tudo aconteceu.
Valdemar já estava dentro do carro quando a filha se aproximou. Ela colocou a mão na maçaneta para tentar conversar, talvez pedir calma, mas, num gesto brusco e completamente desproporcional, ele arrancou com o veículo. A jovem ficou presa pela maçaneta e acabou sendo arrastada por vários metros. Começou a gritar por socorro, e algumas pessoas na rua até tentaram entender o que estava acontecendo, mas tudo foi muito rápido. O pai não parou, não olhou pra trás, nada.
Ela só conseguiu se soltar porque a peça quebrou. Foi jogada no asfalto com força, e, mesmo machucada, conseguiu pedir ajuda. Enquanto isso, Valdemar fugia sem prestar qualquer tipo de auxílio. A atitude dele depois disso também pesou contra: assim que soube que a filha havia ido à delegacia registrar ocorrência, ele teria se escondido na comunidade do Bateau Mouche, também na Zona Sudoeste, numa tentativa de escapar da Justiça.
A 50ª DP (Itaguaí), comandada pelo delegado Rodrigo Bichara Moreira, abriu inquérito imediatamente. A investigação avançou rápido no começo, mas a captura demorou — muito por causa da mobilidade do suspeito e das áreas onde ele circulava, que dificultavam o trabalho dos agentes. Ainda assim, a polícia reuniu provas suficientes e pediu a prisão preventiva, que foi autorizada pela Justiça.
Nas últimas semanas, a delegacia intensificou o monitoramento. Em meio a outros casos que ganharam destaque na imprensa — como o recente debate sobre segurança feminina no Rio, motivado por episódios violentos registrados no metrô e no BRT —, os investigadores sabiam que esse caso também tinha um peso simbólico. Era uma tentativa de homicídio dentro da própria família, algo que costuma chocar ainda mais a opinião pública.
Foi então que a polícia descobriu que Valdemar participaria de um campeonato de futebol amador na Barra da Tijuca. Um detalhe curioso, já que ele aparentemente levava uma vida quase normal, mesmo depois de tanto tempo escondido. Agentes foram até o local discretamente, observaram a movimentação e esperaram o momento certo. Ele foi preso ali mesmo, no campo, sem resistência.
Até agora, não foi divulgado o que Valdemar disse em juízo. A TV Globo tentou contato com a defesa, mas ninguém respondeu — algo comum nesses casos mais sensíveis, em que os advogados preferem esperar o processo andar antes de se pronunciar.
A vítima, cuja identidade não foi revelada para evitar exposição, segue em acompanhamento psicológico. Pessoas próximas dizem que ela tenta reconstruir a rotina, enquanto o caso finalmente começa a caminhar na Justiça.