Janaína reage com força sobre Michelle Bolsonaro

A vereadora de São Paulo Janaína Paschoal (PP) voltou a movimentar o debate político nas redes sociais depois de comentar a treta recente envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e os filhos de Jair Bolsonaro. O clima ficou meio atravessado nos bastidores do PL por causa da discussão sobre alianças políticas no Ceará, e Janaína acabou entrando no assunto para defender, de certa forma, o espaço que Michelle construiu dentro da sigla.

Segundo a parlamentar, houve um “movimento masculino” dentro do partido tentando, nas palavras dela, mandar Michelle “calar a boca” depois que a ex-primeira-dama criticou publicamente a possível aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB-CE) nas eleições de 2026. Essa conversa sobre Ciro mexeu bastante com a base bolsonarista, já que ele sempre foi um adversário político direto do clã. Então, quando surgiu a história de que o PL estadual poderia apoiar o nome dele, Michelle reagiu rápido – e forte.

Janaína disse que não é exatamente próxima de Michelle, até deixou claro que não concorda com tudo que ela faz ou fala. Mas, na visão dela, a esposa do ex-presidente já tem um público próprio, uma militância fiel e um espaço consolidado que não foi “dado de bandeja”. Ela escreveu que é errado simplesmente assistir enquanto vários homens se juntam para tentar silenciar uma mulher dentro do próprio partido. E, num tom meio profético, avisou que “esse monte de homem que está contra ela tende a se arrebentar”. Um comentário que, claro, gerou discussão e dividiu opiniões entre apoiadores e críticos.

O fato é que a situação escalou tanto que a cúpula nacional do PL precisou entrar no circuito. Conforme noticiado pelo Pleno.News, o partido suspendeu as negociações com o PSDB do Ceará sobre apoiar Ciro. Isso aconteceu depois de uma reunião importante em Brasília, com presença de Valdemar Costa Neto, Michelle Bolsonaro, Rogério Marinho, Flávio Bolsonaro e o deputado André Fernandes, que também estava no centro da confusão.

Antes dessa reunião oficial, Michelle e André tiveram um papo reservado. De acordo com uma nota divulgada pelo PL Mulher, eles “oraram juntos” e acertaram os ponteiros sobre o atrito que veio à tona no fim de semana. A tal oração, aliás, virou até meme nas redes, com gente brincando que no PL oração agora faz parte do processo de desarmar crises internas. Mas, brincadeiras à parte, a nota dizia que os dois esclareceram tudo.

A confusão começou quando Michelle criticou abertamente a articulação de André Fernandes em relação à aliança com Ciro. A crítica dela, no entanto, gerou reação imediata dos filhos de Jair Bolsonaro, que defenderam o deputado e sinalizaram que o mal-estar já tinha sido superado. Mesmo assim, ficou um cheiro de “areia movediça” no ar: todo mundo dizendo que está tudo bem, mas com aquela sensação de que o problema ainda incomoda.

Para Michelle, apoiar Ciro seria quase como trair os valores da direita que ela defende. Ela tem repetido, inclusive em eventos recentes do PL Mulher, que a direita precisa manter coerência e não “abraçar adversários” só por cálculo eleitoral. E isso ecoa muito entre seus apoiadores, especialmente num momento em que o bolsonarismo tenta reorganizar forças para 2026, no meio de um cenário político cada vez mais turbulento, com STF em evidência, decisões judiciais polêmicas e discussões que vão desde a economia até segurança pública.

No fim das contas, a crise foi amenizada, mas deixou claro que Michelle Bolsonaro virou uma figura política por si só — alguém com voz, influência e, como disse Janaína, um público próprio que acompanha, cobra e apoia. Se isso fortalece ou atrapalha o PL nos próximos meses, aí já é outra novela. O que dá pra afirmar é que o partido vai ter de lidar com essas tensões internas enquanto tenta montar seu tabuleiro para 2026.



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