Bolsonaro expõe que Flávio será seu candidato à Presidência em 2026

Jair Bolsonaro decidiu tirar do papel uma ideia que muita gente no entorno dele já imaginava fazia tempo. Mesmo preso na carceragem da Polícia Federal em Brasília, o ex-presidente comunicou a aliados próximos, nos últimos dias, que seu escolhido para disputar a Presidência da República em 2026 será ninguém menos que o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL). É a primeira vez que ele verbaliza isso de forma tão direta, sem rodeios, como quem já bateu o martelo.

Segundo relatos de pessoas próximas, Bolsonaro acredita que Flávio tem condições de “crescer” politicamente assim que começar a agir, de fato, como um pré-candidato: viajando pelo país, aparecendo em agendas públicas e entrando mais nos debates que envolvem o governo Lula. Para o ex-mandatário, esse movimento daria ao senador uma espécie de musculatura eleitoral, algo que só se constrói na rua, no corpo a corpo, e não apenas no plenário.

Além disso, Bolsonaro pai avalia que o primogênito tem a vantagem de unir o PL e pacificar o grupo mais duro do bolsonarismo. Ele também se apoiaria num palanque considerável de governadores aliados, como Tarcísio de Freitas, em São Paulo, e Cláudio Castro, no Rio de Janeiro — dois nomes que seguem fortalecidos politicamente e constantemente citados nas análises sobre 2026. Esses apoios, na visão do ex-presidente, dariam à candidatura um ar de solidez e viabilidade desde o começo, coisa que outros nomes talvez não conseguiriam entregar.

A expectativa dentro do PL é que Flávio comece, ainda no primeiro semestre de 2025, uma série de viagens estratégicas. A ideia é circular pelo Nordeste — onde Bolsonaro costuma ter mais resistência — e reforçar presença no Sul, região historicamente mais simpática ao bolsonarismo. Ele também deve assumir um tom mais combativo nas discussões com Lula, pegando pautas econômicas e de segurança pública, que sempre mexem com a opinião pública.

Curiosamente, dentro da própria família, há quem defenda que Flávio seja mesmo o melhor nome para disputar a Presidência porque transmitiria um pouco mais de “previsibilidade” para o mercado e para setores da política tradicional. Uma figura menos explosiva que os irmãos, especialmente Eduardo, que costuma adotar posições mais duras e falas mais inflamadas — às vezes até polêmicas, como vimos recentemente em debates sobre redes sociais e segurança.

Os vices de Flávio Bolsonaro e Lula

No novo arranjo político desenhado por Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle ficaria de fora da corrida presidencial. A previsão mais forte é que ela concorra ao Senado pelo Distrito Federal, onde mantém uma base sólida e uma popularidade que cresceu muito nos últimos anos, especialmente após participação frequente em eventos públicos e programas de TV voltados ao público evangélico — inclusive em pautas que estiveram no centro do noticiário recente, como discussões sobre liberdade religiosa.

Para compor a chapa presidencial de Flávio, Bolsonaro quer um nome de centro. A ideia é atrair setores mais moderados e ampliar o espectro de apoio. Interlocutores citam partidos como União Brasil, PSD e até o Republicanos como possíveis responsáveis por indicar o vice, embora nada esteja fechado.

Do outro lado, no governo, o movimento parece ser o oposto: a prioridade é manter a fórmula que deu certo em 2022. Nos bastidores do PT, cresce a defesa de que Geraldo Alckmin (PSB) siga como vice de Lula em uma eventual reeleição. A justificativa é simples: estabilidade. O presidente confia nele, o mercado gosta dele e, convenhamos, poucos políticos têm a imagem de moderação que Alckmin construiu ao longo de décadas.

Enquanto isso, o cenário vai se ajustando. Cada peça movimentada agora, no final de 2024 e começo de 2025, pode pesar bastante na balança de 2026. E, como sempre, Brasília segue fervendo — talvez até mais do que deveria.



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