Eduardo Bolsonaro é duramente criticado após atitude em local sagrado

Na última quinta-feira (04/12), um daqueles dias meio arrastados de fim de ano, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) acabou virando assunto nas redes — de novo, né? O deputado, que está em Israel numa viagem que mistura política, turismo religioso e, aparentemente, marketing pessoal, resolveu fazer algo que muita gente considerou no mínimo esquisito. Ele transformou o Muro das Lamentações, em Jerusalém, num verdadeiro palco político improvisado.

O vídeo que começou a circular, primeiro ali no X (o antigo Twitter, que hoje parece uma mistura de praça pública com caos), mostra Eduardo se aproximando das pedras gigantes do muro. Ele coloca um bilhete entre as fendas — como fazem os peregrinos que deixam pedidos e orações — mas o que chamou atenção foi o conteúdo da mensagem. Em vez de uma reza tradicional, ele escreveu: “Solte o Bolsonaro/Free Bolsonaro”. E ainda estava usando um kipá, o pequeno chapéu judeu que, para muitos fiéis, representa respeito ao local sagrado.

Pra quem não conhece bem o Muro das Lamentações, vale lembrar: é o último vestígio do Segundo Templo de Jerusalém, destruído pelos romanos, e é considerado um dos espaços mais importantes do judaísmo. Todos os dias, pessoas do mundo inteiro vão até lá pedir saúde, paz, proteção, agradecer conquistas ou simplesmente desabafar com Deus. É um ritual que mexe com a fé de muita gente.

Por isso mesmo, o gesto de Eduardo acabou gerando uma chuva de críticas. Também, convenhamos: usar um dos lugares mais sagrados para fazer pressão política — ainda mais sobre o caso de Jair Bolsonaro, que anda sendo investigado em várias frentes — pegou mal. Muita gente classificou a cena como desrespeitosa, fora de tom, quase caricata. E olha que no Brasil estamos acostumados com exagero político…

Nos comentários do vídeo, o clima não foi dos mais amistosos. Um internauta disparou logo de cara: “Que vergonha alheia”. Outro perguntou, com ironia evidente: “Tá usando isso na cabeça por quê, se é cristão?”. E teve ainda uma terceira pessoa dizendo: “Que falta de respeito… ridículo!”. Não teve muito filtro, não.

A questão toda é que o episódio aconteceu justamente num momento em que o debate político anda super inflamado, com cada lado buscando símbolos, espaços e até emoções para reforçar sua narrativa. E, claro, quando alguém mistura crença religiosa com pedido político, o impacto é imediato. Ainda mais numa era em que tudo vira vídeo curto e viraliza em segundos. É como se cada gesto fosse pensado para gerar repercussão — mesmo que negativa.

Tem quem defenda Eduardo, dizendo que ele só expressou sua preocupação com o pai e que todo mundo tem direito de deixar o bilhete que quiser no muro. Mas mesmo entre pessoas que simpatizam com o bolsonarismo, rolou aquele incômodo silencioso, aquele “poxa… precisava disso?”. Afinal, há um consenso básico entre turistas: evitar transformar espaços religiosos em campo de batalha ideológico.

Enquanto isso, o vídeo segue rodando, alimentando debates e memes. Já tem até comparação no TikTok com aquele episódio recente em que torcedores brasileiros deixaram recados de futebol num templo budista — o que também deu polêmica. Parece que, em 2024, todo mundo acha que qualquer lugar sagrado é cenário de vídeo.

No fim das contas, a situação reacende a discussão sobre limites. Existe um trecho onde fé termina e política começa? Ou está tudo misturado mesmo e ninguém sabe mais separar uma coisa da outra? É difícil dizer. O que dá pra afirmar é que Eduardo Bolsonaro, mais uma vez, conseguiu chamar atenção. Só não exatamente da forma que gostaria.



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