A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidiu quebrar o silêncio e parabenizou o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pela pré-candidatura à Presidência da República em 2026. A mensagem, postada nas redes sociais, veio num tom espiritualizado — como ela costuma fazer — e desejou “sabedoria, força e graça” ao senador nesse novo passo político.
“Que Deus te abençoe nesta nova missão pelo nosso amado Brasil. Que o Senhor te dê sabedoria, força e graça em cada passo, e que a mão d’Ele conduza o teu caminho para o bem da nossa nação”, escreveu Michelle. O texto foi acompanhado de uma imagem da nota oficial divulgada pelo PL confirmando a escolha do parlamentar para encabeçar o projeto presidencial da sigla.
A confirmação de que Flávio seria o nome apoiado por Jair Bolsonaro nas eleições de 2026 já havia sido antecipada pelo Metrópoles, na coluna de Paulo Cappelli, nesta sexta-feira (5/12). Até então, circulavam especulações sobre uma possível candidatura de Michelle, mas a disputa interna parece ter sido encerrada — pelo menos por agora.
O comentário de Michelle ganhou ainda mais repercussão porque acontece dias depois de uma turbulência pública dentro da família Bolsonaro. O clima esquentou após a ex-primeira-dama criticar duramente a aproximação do diretório do PL no Ceará com Ciro Gomes (PSDB). O encontro ocorreu no domingo (30/11), em Fortaleza, e gerou ruído imediato, já que Ciro sempre foi um crítico ferrenho do bolsonarismo.
Esse episódio fez pipocar rumores de desarmonia entre Michelle e o diretório nacional do partido, e até mesmo entre ela e Flávio. A situação ficou tão exposta que alguns aliados passaram a comentar nos bastidores que a disputa de protagonismo dentro do PL estava se tornando um problema às vésperas de 2026.
Mas, tentando dissipar a ideia de crise familiar, Flávio revelou que os dois conversaram e se acertaram. Isso ocorreu na terça-feira (2/12), quando o senador visitou o pai na carceragem da Polícia Federal, em Brasília — visita que, por si só, já chamou atenção da imprensa, dada a situação delicada de Jair Bolsonaro, que segue preso.
“Já conversamos e está tudo resolvido”, disse ele aos repórteres na saída. Flávio afirmou que ambos pediram desculpas e que tudo teria passado de um “mal-entendido” inflamado pelas circunstâncias e pelo momento de tensão política.
A candidatura em si
Mais tarde, já nesta sexta-feira (5/12), Flávio Bolsonaro oficializou publicamente que foi realmente escolhido pelo pai para disputar a Presidência da República em 2026. Em um post direto e sem grandes floreios — algo incomum para o estilo dele — o senador afirmou que recebe a missão com “grande responsabilidade”.
Ele também fez questão de enaltecer Jair Bolsonaro, chamando-o de “a maior liderança política e moral do Brasil”, frase que repercutiu forte entre apoiadores e opositores.
“Confirmo a decisão de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”, escreveu Flávio, numa postagem que teve milhares de curtidas em poucos minutos e reacendeu discussões sobre a força eleitoral do bolsonarismo sem Jair como cabeça da chapa.
A entrada de Flávio na corrida presidencial movimenta o tabuleiro político num momento em que o país vive disputas intensas, CPI pra todo lado e um clima pré-eleitoral que parece ter começado cedo demais. Ainda assim, o PL aposta que o senador tem potencial — e, sobretudo, o “selo” do pai — para manter viva a militância bolsonarista.
Se vai funcionar? A eleição ainda está longe, mas a temperatura, definitivamente, já subiu.