Na noite de quinta-feira (4), quem estava pronto para viajar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, acabou vivendo um momento daqueles que ninguém espera quando entra num avião: uma fumaça repentina, corre-corre de funcionários e a ordem inesperada de evacuar tudo. O motivo? Um equipamento de solo, daqueles usados pra apoiar as operações, pegou fogo bem ali, pertinho da aeronave da Latam que se preparava para levantar voo rumo a Porto Alegre.
A Latam informou depois, numa nota meio formal como sempre, que apesar do susto, ninguém saiu machucado. Mas o clima de tensão, segundo relatos de quem estava lá dentro, foi real. O pessoal tinha acabado de embarcar, o voo tava praticamente lotado — algo comum agora com o fluxo aumentando por causa das festas de fim de ano e dos turistas indo e vindo depois do feriado prolongado.
O incêndio no equipamento, que nem era da própria Latam, mas sim de uma empresa terceirizada, gerou uma fumaça que disparou os protocolos de segurança. E quando esses protocolos tocam, não tem conversa. Em segundos, os comissários começaram a orientar todo mundo a sair, alguns pela ponte de embarque (o famoso finger), e outros pela escorregadeira de emergência, aquela rampa inflável que a gente só vê em treinamento ou em vídeo na internet. Funcionários treinados cercaram tudo e foram guiando as pessoas, boa parte ainda sem entender o que estava acontecendo de verdade.
Nos vídeos que viralizaram mais tarde nas redes, dá pra ver que o fogo realmente ficou bem próximo à aeronave. Não era uma labaredinha tímida — embora tenha sido controlada rápido, a proximidade assustou muita gente. Ainda mais depois dos últimos noticiários sobre atrasos e falhas técnicas em grandes aeroportos, como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro durante a ventania que paralisou metade dos voos.
A GRU Airport, concessionária responsável por Guarulhos, também soltou nota — e até bem rápida, o que é raro — garantindo que todos os procedimentos foram ativados de imediato e que não teve impacto na operação geral do aeroporto. Eles explicaram que assim que identificaram o incêndio, a brigada e os bombeiros aeronáuticos entraram em ação para apagar as chamas. Por segurança, o abastecimento de aeronaves foi interrompido por uns 10 minutos. Nada além do que manda o manual, mas o suficiente para aumentar a aflição de quem estava lá no meio da confusão.
Um dos passageiros, Lucas Lima, contou que o voo estava tão cheio que o pessoal ainda estava sendo acomodado, mesmo depois do anúncio de “embarque encerrado”. Ele disse que, quando estavam quase todos sentados, veio a ordem de evacuação imediata. Muita gente levantou meio perdida, algumas pessoas ainda tentando alcançar as malas, achando que dava tempo. Logo depois, veio outro aviso, mais firme, com os comissários literalmente gritando para abandonarem os pertences e seguirem para frente da aeronave. De dentro, segundo ele, não tinha cheiro de fumaça nem nada. Então a sensação era de confusão mesmo.
Depois do susto, todos foram realocados em novos voos — o que levou horas, como costuma ser — e ainda receberam um voucher de R$ 150 para jantar. Pequeno alívio, mas já ajuda quando a madrugada vai se arrastando. No fim das contas, a Latam informou que 159 passageiros conseguiram desembarcar em Porto Alegre às 2h54 da manhã de sexta-feira (5). Os outros dez clientes seguiram viagem mais tarde, em outros voos ou até por via terrestre.
No fim, deu tudo certo. Mas quem viveu, não esquece. Avião parado, fogo do lado, gente saindo pela escorregadeira… definitivamente não é o tipo de noite que alguém espera quando só queria chegar em casa.