Emocionado, Carlos chora e cita Jair Bolsonaro durante homenagem surpresa

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) viveu um dia de forte carga emocional nesta sexta-feira (5), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Ele recebeu a Medalha de Honra ao Mérito Legislativo, a mais alta distinção concedida pela Casa, e não conteve as lágrimas durante o discurso. Visivelmente tocado, Carlos fez um retrospecto de sua trajetória política, lembrou momentos difíceis que vive com a família e citou o pai, Jair Bolsonaro, que segue preso após condenação no Supremo Tribunal Federal — tema que continua movimentando o cenário político e as redes sociais.

Com a voz trêmula, ele afirmou que a homenagem não era apenas dele, mas também do ex-presidente.
“Isso aqui vai ser levado a ele, porque eu vejo tantas pessoas mandando boas energias e mensagens pra que eu possa chegar até ele. Obrigado por me colocarem como uma espécie de porta-voz do meu pai. A luta de ninguém acabou, ela só está começando”, declarou, num tom que misturava gratidão e firmeza.

A proposta de entregar o colar partiu do deputado estadual Paulo Mansur (PL). A mesma honraria também foi dada ao deputado federal Mário Frias (PL-SP). De acordo com a Alesp, o colar reconhece figuras que contribuíram para o avanço social, cultural ou econômico de São Paulo. Mansur justificou a escolha citando “trabalho, dedicação e compromisso público” dos homenageados — argumentos que ecoaram entre apoiadores presentes no plenário.

Depois da cerimônia, Carlos conversou rapidamente com a imprensa e comentou o clima do dia. Ele foi questionado sobre a reação negativa do mercado financeiro após a indicação de Flávio Bolsonaro como nome para a disputa presidencial de 2026. De forma direta, o vereador disse que a oscilação seria motivada por interesses de lucro, não pela preocupação com o futuro do país.
“Mercado quer ganhar dinheiro, simples assim. Acho que não tem nada a ver com interesse público”, afirmou.

Quanto à possível resistência do Centrão à candidatura do irmão, Carlos disse não estar preocupado. Reforçou que seguirá a orientação do pai, seja qual for. Afirmou ainda que o grupo político ligado a Bolsonaro tende a caminhar unido, mesmo com divergências internas — algo que já temos visto em disputas estaduais e até mesmo dentro do PL nos últimos meses.

Carlos também comentou sua relação com o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para ele, Tarcísio continua alinhado ao bolsonarismo, apesar das especulações que surgem de tempos em tempos.
“Tenho certeza que o Tarcísio é nosso aliado. É amigo e está com a gente. Se tiver algum problema, que eu nem acredito que exista, todo mundo vai se alinhar na mesma linha”, afirmou, dando a entender que eventuais ruídos são mais barulho midiático do que crise real.

Antes da entrega das medalhas, parlamentares aliados de Bolsonaro ocuparam a tribuna para discursos carregados de apoio. O deputado Gil Diniz (PL), por exemplo, destacou que Carlos deve disputar o Senado por Santa Catarina — movimento que já vem sendo ventilado desde outubro. Já Lucas Bove (PL) disse acreditar no retorno próximo de Jair Bolsonaro à vida pública, reforçando um sentimento que permanece forte entre apoiadores mesmo após a prisão do ex-presidente.

O primeiro a receber a honraria foi Mário Frias, que também utilizou seu tempo de fala para enaltecer Bolsonaro. Frias comemorou a indicação de Flávio para a Presidência e defendeu que a união política da direita deve ser construída em torno do ex-presidente.
“Hoje a gente recebeu uma notícia muito boa: a indicação do presidente Bolsonaro ao Flávio para concorrer à Presidência. E o recado é simples: união, sim, mas em torno de Jair Bolsonaro”, disse.

A cerimônia na Alesp, marcada por emoção, política e demonstrações de fidelidade, reforçou o clima de reorganização do grupo bolsonarista em meio ao cenário tenso que o país vive em 2025.



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