A influenciadora e modelo Karla Lessa quebrou o silêncio nesta sexta-feira (5) depois que as imagens em que aparece sendo agredida por Babal Guimarães se tornaram públicas e dominaram as redes sociais. O episódio, que já vinha sendo comentado desde a madrugada da última quinta-feira (4), ganhou proporções ainda maiores quando o vídeo vazou e chocou usuários de todas as plataformas. Karla, visivelmente abalada, confirmou o término do relacionamento e, ao mesmo tempo, surpreendeu ao afirmar que sempre foi bem tratada pela família de Babal, mesmo com toda a repercussão negativa.
No desabafo publicado em seus perfis, ela relatou que chegou a conversar com o irmão do influenciador e recebeu mensagens de apoio. “A família sempre me tratou bem”, escreveu, deixando claro que, embora as relações familiares tenham sido respeitosas, isso não apaga o que aconteceu. Em seguida, ela reforçou: “Esse vídeo que está circulando me expôs de uma forma que nenhuma mulher merece passar por isso.” A frase, curta e direta, ecoou rapidamente entre seguidores, famosos e páginas de apoio a vítimas de violência doméstica.
O vídeo que revoltou o país
As agressões ocorreram na madrugada de 28 de novembro, na área externa de um condomínio em Maceió (AL). As imagens das câmeras de segurança mostram Babal puxando os cabelos da modelo, empurrando-a contra uma parede e arremessando um objeto em sua direção. É uma sequência dura, incômoda, daquelas que ninguém gosta de ver — mas que, infelizmente, revelam uma realidade ainda muito presente no Brasil.
O vídeo viralizou na quinta-feira (4) e rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados no Twitter, Instagram e TikTok, gerando indignação. Diversas influenciadoras, incluindo nomes que recentemente discutiram violência psicológica e física em relacionamentos, se manifestaram em solidariedade. A repercussão foi tanta que páginas de jornalismo digital e programas de TV também passaram a noticiar o caso.
Karla pede silêncio, paz e um pouco de fôlego
Em seu pronunciamento, Karla deixou claro que está profundamente abalada emocionalmente com tudo o que aconteceu — e principalmente com a forma como o vídeo se espalhou. “Está sendo muito difícil ver tudo isso acontecendo. Deixou marcas, deixou traumas. Eu só quero paz, privacidade e cuidado”, escreveu.
Ela agradeceu pelas mensagens de carinho, mas afirmou que, neste momento, prefere se afastar um pouco para reorganizar sua vida. Essa decisão, inclusive, foi apoiada por seguidores, que pediram respeito ao tempo dela e criticaram o compartilhamento incessante do vídeo, que continua circulando de forma massiva, muitas vezes sem sensibilidade.
A influenciadora também afirmou que ainda está tentando entender o rumo de tudo isso. É aquela fase em que a pessoa olha pro caos e tenta juntar o que sobrou. E, como tantas mulheres que passam por situações parecidas, Karla também carrega agora o peso da exposição, que acaba somando uma camada extra de dor ao trauma inicial.
Polícia abre inquérito mesmo sem boletim de ocorrência
Apesar de Karla não ter registrado boletim de ocorrência, a Polícia Civil de Alagoas instaurou um inquérito para investigar o caso após receber as imagens. A apuração está sob responsabilidade das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), que vão analisar os vídeos e ouvir testemunhas para definir os próximos passos. A decisão da Polícia de abrir o inquérito mesmo sem a denúncia direta reforça como o caso ganhou gravidade pública.
Nos bastidores, especialistas em direito e páginas que tratam de violência de gênero lembram que, nos últimos anos, a legislação brasileira avançou justamente para permitir que casos assim não dependam exclusivamente da vítima para seguirem adiante. Ainda assim, o silêncio de Karla no aspecto jurídico tem sido respeitado, já que cada mulher reage de um jeito e no seu tempo.
No fim, o caso evidencia duas coisas: a força da exposição digital — que, ao mesmo tempo em que denuncia, também machuca — e a urgência de discutir, mais uma vez, a violência contra a mulher no Brasil de 2025.