Ex-juíza enfrenta Moraes e levanta suspeitas sobre contrato do Master com sua esposa

A ex-juíza Ludmila Lins Grilo voltou a movimentar suas redes sociais nesta terça-feira (9) depois que veio à tona a informação de que a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, teria firmado um contrato milionário — coisa de R$ 129 milhões — para defender o Banco Master, que hoje está sob investigação pesada por causa de um esquema de carteiras de crédito supostamente fabricadas. O assunto caiu como uma bomba no meio jurídico e político, justamente num momento em que o país já anda num clima de desconfiança institucional.

Ludmila, que costuma falar sem rodeios e já está fora da magistratura há algum tempo, fez um post no X que acabou circulando bastante. Ela questionou o montante fechado entre o banco e o escritório de Viviane. Segundo a ex-juíza, valores desse tamanho simplesmente não têm comparação no mercado. “Não existe — repito, não existe — serviço advocatício que custe 129 milhões (nem se a mulher assumisse integralmente o jurídico do banco). E não estamos falando de 129 milhões de eventuais êxitos; são de pró-labore mesmo”, disse, num tom que misturava ironia e indignação.

A fala dela acabou ecoando entre opositores do STF e nas bolhas políticas que já vinham debatendo decisões recentes da Corte, como as discussões sobre regulação de redes sociais e os desdobramentos pós-CPI das Fake News. No fim das contas, o comentário virou mais um capítulo desse clima tenso que o Brasil tem vivido nos últimos meses.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DO ACORDO

Para entender o rebuliço, é preciso voltar ao mês de novembro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero em São Paulo. A ação tinha como alvo um esquema de fraudes financeiras envolvendo instituições que, em tese, deveriam cumprir normas rígidas de segurança e transparência. Entre os investigados estava justamente o Banco Master, já citado em outras reportagens por irregularidades e operações suspeitas.

Durante as buscas, a PF apreendeu documentos digitais — e aí vem a parte curiosa — encontrados não em servidores do banco, mas no celular do controlador, Daniel Vorcaro. Esses arquivos mostravam um contrato que previa pagamentos de cerca de R$ 3,6 milhões por mês ao escritório de Viviane Barci de Moraes, por um período de três anos. Fazendo a conta rápida, esse total chegaria aos tais R$ 129 milhões, caso todo o prazo fosse cumprido.

O acordo determinava que o escritório atuaria em várias frentes jurídicas, mas sem mencionar casos específicos, o que levantou ainda mais suspeitas sobre o motivo de um valor tão alto. Mesmo com o banco entrando em liquidação — e, portanto, sem pagar todo o combinado — mensagens obtidas pelos investigadores sugerem que Vorcaro tratava os repasses ao escritório como prioridade absoluta. Em uma das trocas de mensagens com funcionários, ele deixa claro que esse pagamento não podia atrasar.

SILÊNCIO DO ESCRITÓRIO E DO BANCO

A equipe jornalística que levantou as informações tentou falar com o escritório Barci de Moraes Advogados para ouvir a versão da outra parte. Uma funcionária atendeu, mas disse que ninguém comentaria o assunto e também não repassou qualquer contato oficial para posicionamento. O Banco Master, por sua vez, permaneceu igualmente em silêncio, o que só aumentou o burburinho.

A reportagem é assinada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, que vem cobrindo de perto movimentos envolvendo Justiça, finanças e política — áreas que em 2024 e 2025 estão mais entrelaçadas do que nunca.



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