O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (9) estabelecer uma nova regra envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A partir de agora, qualquer pedido de entrevista precisa primeiro passar pelo crivo da defesa do ex-mandatário antes de seguir para a análise da Corte. Segundo Moraes, essa medida surge porque o próprio Bolsonaro tem recusado diversas solicitações, mesmo quando o STF já havia dado sinal verde para a conversa com jornalistas.
Bolsonaro segue preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, cumprindo uma pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Ele continua negando os crimes e insiste que tudo não passa de perseguição política — discurso que seus apoiadores repetem quase diariamente nas redes e até em atos públicos, como o que ocorreu recentemente na Esplanada dos Ministérios, que reuniu um grupo menor do que os eventos anteriores, mas ainda barulhento.
Desde que foi detido, Bolsonaro recebeu convites de vários veículos de comunicação, tanto da mídia tradicional quanto de canais digitais que orbitam o bolsonarismo. Apesar da liberação formal do STF, nenhuma entrevista aconteceu. Ele se manteve em silêncio, o que gerou especulação até entre aliados: alguns afirmam que ele teme “falar demais”, outros juram que é apenas estratégia jurídica.
No pedido mais recente enviado ao Supremo, o ex-presidente mudou o foco. Em vez de tratar de entrevistas, Bolsonaro solicitou que Moraes autorize sua ida ao cardiologista e ao fisioterapeuta. Segundo a defesa, o ex-chefe do Executivo enfrenta problemas de saúde que se agravaram na prisão — entre eles, uma hérnia inguinal que já estaria causando desconforto constante. Por isso, pedem também sua transferência ao Hospital DF Star para uma cirurgia, além da concessão de prisão domiciliar humanitária.
Essa solicitação de prisão domiciliar reacendeu o debate nas redes. Alguns compararam o caso ao de outros presos que conseguiram o benefício por questões médicas, enquanto críticos disseram que Bolsonaro “só pede privilégios”. A verdade, porém, é que o STF ainda não se manifestou sobre essa parte do pedido, e Moraes segue analisando os laudos médicos apresentados.
Outro ponto levantado pela defesa envolve a rotina de visitas. Hoje, cada familiar precisa fazer um pedido individual ao STF para visitar o ex-presidente, mesmo sendo pessoas cadastradas pela Polícia Federal. Isso vale inclusive para Michelle Bolsonaro (PL) e para os filhos, que costumam frequentar a PF às terças e quintas-feiras. A defesa argumenta que esse procedimento é burocrático demais e acaba atrapalhando a dinâmica da família. Eles pedem uma autorização permanente para todos os parentes já registrados, o que evitaria a necessidade de acionar o Supremo a cada encontro.
Nos bastidores, assessores próximos ao ex-presidente comentam que a situação tem desgastado emocionalmente a família. Michelle, que recentemente retomou uma agenda mais pública, incluindo participações em eventos do PL Mulher e gravações para redes sociais, estaria tentando conciliar tudo com as visitas ao marido — e isso acaba pesando, especialmente quando há uma “corrida” para entregar os pedidos dentro dos horários exigidos pela Corte.
A decisão de Moraes sobre as entrevistas, embora pareça simples, acaba adicionando mais uma camada à complexa relação entre Bolsonaro, o STF e a imprensa. De um lado, a Corte quer manter controle e transparência sobre as interações do preso com jornalistas; de outro, a defesa tenta administrar danos num momento político extremamente delicado para o ex-presidente, principalmente após a delação de aliados e o avanço de investigações sobre o 8 de Janeiro.
Enquanto isso, Bolsonaro segue em silêncio público, entre consultas médicas, pedidos jurídicos e o isolamento físico da prisão. E cada movimentação no processo — por menor que pareça — continua repercutindo no noticiário e nas redes, como tudo que envolve o ex-presidente desde que deixou o Planalto.