Nikolas reage a convite de Flávio e pega aliados de surpresa

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou aos holofotes nesta quarta-feira (10/12) depois de reagir às declarações de Flávio Bolsonaro sobre uma possível composição de governo caso o senador vença a disputa pela Presidência. A fala, feita durante uma reunião interna do PL, deixou o clima político agitado, especialmente porque chega num momento em que Brasília já vive aquele ritmo pré-eleitoral frenético, com reuniões que começam cedo e terminam tarde, quase como se o ano já tivesse virado para 2026.

Segundo contou Nikolas em conversa com a coluna, Flávio Bolsonaro teria dito que, apesar de o mineiro não ter idade para disputar o Senado nem o governo de Minas, ele já estaria “velho o suficiente” para ser ministro. E mais: teria mencionado que gostaria de ver o parlamentar ao lado de Jair Bolsonaro compondo o eventual primeiro escalão de um futuro governo.

“Foi isso mesmo que ele disse lá, mas foi num tom meio descontraído. Mais brincadeira do que proposta formal”, explicou Nikolas, num daqueles comentários que parecem ensaiados, mas ao mesmo tempo carregam um ar de sinceridade meio apressada. Ele até riu, segundo relatado, ao repetir a frase, como quem quer demonstrar leveza sem incentivar especulações.

Mesmo assim, o mineiro fez questão de reforçar que não cogita assumir nenhum ministério por agora. “Ainda tenho muita coisa pra fazer no Parlamento. Meu foco tá no Congresso”, declarou. A fala vai na contramão das teorias que circulavam nas redes, especialmente em perfis mais alinhados ao bolsonarismo, onde muita gente comemorava a possibilidade de Nikolas assumir algum cargo de destaque. Mas, pelo menos por enquanto, ele garante que não sai da Câmara.

Do outro lado dessa história, Flávio Bolsonaro segue tentando montar a própria caminhada rumo ao Palácio do Planalto. O senador tem buscado apoio principalmente entre partidos de centro, aqueles que costumam ser decisivos em campanhas mais apertadas — um movimento que lembra o tabuleiro das eleições de 2022, quando cada sigla parecia uma peça estratégica. Fontes próximas afirmam que ele já conversou com dirigentes de várias legendas, tudo a portas fechadas, quase sempre sem celulares por perto, numa tentativa de evitar vazamentos.

Além disso, Flávio prepara uma agenda internacional extensa para o começo de 2026, algo que virou moda entre candidatos que tentam mostrar “prestígio global”. Em janeiro, ele deve viajar para países da América do Sul, Europa e também para os Estados Unidos. O principal objetivo, segundo sua equipe, é buscar apoio institucional e político não apenas para a candidatura, mas também para defender a anistia de Jair Bolsonaro e de outros condenados pelos atos de 8 de Janeiro — um tema que ainda causa discussão quente no Congresso, com manifestações nas redes, hashtags indo e voltando, e comentários que variam do elogio efusivo à crítica dura.

O primeiro destino previsto é a Argentina, governada por Javier Milei, aliado declarado de Bolsonaro e figura que virou uma espécie de celebridade política nas redes brasileiras. A viagem, segundo assessores, pretende reforçar alianças internacionais e mostrar que Flávio está disposto a dialogar com líderes conservadores de fora do país.

Com tudo isso, o cenário político vai se moldando entre falas soltas, viagens planejadas e conversas sigilosas — e Nikolas, mesmo dizendo que não quer ser ministro, continua no centro da roda, seja por suas declarações, seja pelo peso que ganhou na ala mais jovem do PL. O ano mal terminou, mas a corrida já começou.



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