A história trágica que tomou conta das redes e virou assunto em programas policiais nesta semana envolve Maria Katiane da Silva, 25 anos, que morreu depois de cair do 10º andar de um prédio na zona sul de São Paulo. Antes da queda, ela foi brutalmente espancada pelo namorado, Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, que agora está preso e responde por feminicídio consumado.
A foto dela, que circula nas reportagens, acabou virando símbolo dessa violência que ainda insiste em aparecer, mesmo com tantas campanhas e debates que rolam por aí – principalmente agora, em dezembro, quando sempre surgem balanços de violência contra mulheres no país.
Alex foi detido na terça-feira (9/12), mais de uma semana depois do crime, que ocorreu na madrugada do dia 29 de novembro. A polícia diz ter avançado rápido depois que as imagens de segurança do condomínio foram analisadas. As cenas, que chamaram atenção pela brutalidade, mostram praticamente todo o caminho da agressão, desde o estacionamento até o elevador.
Quem assistiu descreve como perturbador: dá pra ver claramente Maria sendo arrastada pelo chão, tentando resistir, tentando se firmar em alguma coisa, enquanto ele a puxa sem nenhum sinal de pausa, como se nada mais importasse.
Um dos detalhes que mais chocou os investigadores foi o tempo da violência: tudo aconteceu em menos de cinco minutos. É impressionante como algo tão devastador pode caber num intervalo tão curto.
No elevador, a situação fica ainda mais evidente. As câmeras registram Alex tentando agarrar o pescoço de Maria, como se quisesse imobilizá-la de qualquer jeito. Ela tenta se desvencilhar, se escora contra a parede, mas está fraca, visivelmente desorientada. Menos de dois minutos depois, ele a arrasta de novo para fora do elevador, dessa vez com ainda mais violência.
Segundo o que a polícia já confirmou, algo acontece nesse intervalo de cerca de um minuto entre a saída dos dois e o retorno dele. Alex volta sozinho para o elevador. Nas imagens, ele aparece colocando as mãos na cabeça e sentando no chão, num gesto que lembra desespero — ou talvez a consciência tardia do que tinha feito. Esse momento virou praticamente o núcleo da investigação, porque coincide com a queda de Maria do 10º andar.
Apesar disso, os investigadores da 89ª Delegacia de Polícia, no Jardim Taboão, acreditam que a queda não foi acidental. A tese de que ele a teria jogado pela janela é a principal linha seguida pela equipe, que já pediu novas perícias no apartamento e nos laudos corporais. O caso entrou no núcleo de feminicídio da Polícia Civil, justamente por envolver agressões reiteradas e motivação ligada ao relacionamento.
Moradores do condomínio que prestaram depoimento falaram que ouviram barulhos de discussão horas antes, mas ninguém imaginava que a situação terminaria assim. Um vizinho chegou a comentar que era comum ouvir gritos esporádicos no apartamento, mas “nunca desse jeito”. Essa parte sempre choca porque mostra como, muitas vezes, os sinais estão ali, mas passam despercebidos — ou ignorados, o que é quase tão grave quanto.
O caso reacendeu debates nas redes sociais, especialmente depois de páginas de notícias compartilharem trechos das gravações. Muitos internautas compararam com outros episódios recentes de violência doméstica que vieram à tona no fim do ano, período em que estatísticas mostram aumento de denúncias.
A família de Maria, que mora no Nordeste, viajou para São Paulo assim que recebeu a notícia. Eles disseram estar devastados e pediram justiça, reforçando que ela havia comentado algumas vezes sobre crises no relacionamento, mas nunca imaginavam algo nesse nível.
Agora, a investigação segue, e Alex permanece preso. O que restou para quem acompanha o caso é aquela sensação amarga de que tudo poderia ter sido evitado — mas, infelizmente, não foi.