Tarcísio acende alerta máximo e fala em ‘Epidemia de Feminicídio’ e garante resposta dura

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltou a chamar atenção nesta quinta-feira (11/12) ao afirmar, durante uma agenda em Carapicuíba, que São Paulo vive uma verdadeira “epidemia de feminicídios”. A fala veio em meio ao aumento expressivo dos casos de violência contra a mulher no estado e serviu como justificativa para a mudança no comando da Secretaria de Políticas para a Mulher, que agora passa a ser chefiada pela delegada Adriana Liporoni. A troca — que já gerou discussão nos bastidores — ocorre mesmo com a pasta mantendo um dos menores orçamentos do governo, algo que virou motivo de crítica desde o início da gestão.

Segundo Tarcísio, apesar de São Paulo ter apresentado queda em crimes como homicídios, latrocínios e roubos em geral, a violência contra a mulher segue sendo “o ponto mais duro” do enfrentamento à criminalidade. Ele ressaltou que muitos dos casos acontecem dentro da própria casa da vítima, cometidos por parceiros, ex-parceiros ou familiares próximos. Isso, de acordo com o governador, cria um ambiente de silêncio que dificulta tanto o pedido de ajuda quanto o processo de investigação.

“É o caso que a gente tem mais dificuldade em combater”, reforçou ele, numa fala que soou um pouco improvisada. “Tivemos redução nos homicídios, nos latrocínios, nos roubos de carga e de veículos. Mas esses crimes têm uma natureza muito passional. Muitas vezes a mulher ainda se sente constrangida para procurar ajuda. A gente precisa criar canais seguros para que elas possam comunicar.” Ele citou ainda a criação de novos canais digitais — como o aplicativo lançado neste ano —, que facilitam o registro de boletins de ocorrência sem a necessidade de ir pessoalmente a uma delegacia.

Capital bate recorde histórico

Os números realmente chamam atenção. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostram que a cidade de São Paulo registrou 53 feminicídios entre janeiro e outubro de 2025, o maior número desde o início da série histórica, em 2015. E esse total ainda nem inclui os casos de novembro e dezembro, meses tradicionalmente mais críticos.

No estado inteiro, foram 207 feminicídios no mesmo período. A capital lidera com os 53 casos; o interior aparece com 101 registros e a região metropolitana com outros 40. O número representa um aumento de aproximadamente 8% em relação ao mesmo intervalo de 2024, quando o estado somou 191 ocorrências. Para quem acompanha de perto os boletins da SSP, esse avanço já era temido desde setembro, quando vieram à tona casos de grande repercussão — como o da moradora de Itaquera que tentou pedir socorro pelas redes sociais minutos antes de ser morta pelo ex-companheiro, episódio que viralizou e indignou muita gente.

Orçamento segue pequeno, apesar das promessas

Em resposta às críticas sobre o orçamento limitado da Secretaria da Mulher, Tarcísio disse que a pasta funciona de maneira “transversal” e não isolada. Na prática, segundo ele, outras áreas do governo — especialmente a Segurança Pública — já atuam diretamente no combate à violência de gênero. Ele mencionou o aumento no número de delegacias especializadas e a ampliação de equipes para atendimento humanizado, embora não tenha citado números exatos, o que gerou algumas dúvidas entre jornalistas presentes.

Nova titular assume com foco total em segurança

Com a delegada Adriana Liporoni assumindo o comando, o governador afirma esperar uma virada na política de enfrentamento. “A escolha de uma delegada foi justamente para dar enfoque no que é principal. Claro, a saúde da mulher é importante, a emancipação é importante, mas hoje temos um grande problema, uma grande epidemia, que é a violência contra a mulher”, declarou.

Tarcísio disse ainda que pretende “usar toda a energia necessária” para combater o que chamou de “chaga” e “mal social”. A promessa é forte — resta saber se, com recursos tão limitados, a nova secretaria conseguirá entregar a resposta que o estado precisa.



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