Vídeo: Funcionário da Enel é preso por cobrar para religar energia em SP

Um funcionário da Enel acabou preso por corrupção na tarde desta quinta-feira (11), bem no meio da Praça Manuel Vaz de Toledo, ali na Vila Clementino, Zona Sul de São Paulo. A cena chamaria atenção de qualquer um que estivesse passando, mas o que realmente pegou todo mundo de surpresa foi o motivo: ele estaria cobrando dinheiro para religar a energia de moradores e comerciantes afetados pelo apagão que atingiu a região nos últimos dias.

Quem flagrou toda a situação foi o subprefeito da Vila Mariana, Rafael Minatogawa. Ele contou que já vinha recebendo relatos, desde cedo, de que um servidor da Enel estaria fazendo uma “oferta paralela” para liberar a energia de quem estivesse com o comércio parado ou a casa no escuro. E não foram casos isolados, segundo ele. Era mais de uma pessoa comentando, quase um burburinho de rua mesmo.

Minatogawa trabalha na rua Sena Madureira, uma das mais prejudicadas pela demora na religação. E é meio impossível não notar a frustração das pessoas, principalmente depois de tantos episódios de falta de luz na capital — lembrando que a Enel já vem sendo muito cobrada desde aquele apagão de novembro, quando milhares ficaram quase dois dias sem energia.

Quando o subprefeito encontrou o funcionário, ele começou a gravar a conversa. No vídeo, dá pra ouvir o servidor dizendo que um comerciante teria procurado por ele e que o valor para o “conector” — palavra usada por ele — seria de R$ 2,5 mil. A justificativa dele é confusa, meio sem pé nem cabeça, como se tivesse tentando arrumar uma explicação rápida pra se livrar da pressão.

Foi aí que o subprefeito não pensou duas vezes. Interrompeu, deu voz de prisão e afirmou que estava ali com a Polícia Civil.

“Vou dar ordem de prisão pra você. O senhor está preso por corrupção. Eu estou com a Polícia Civil aqui”, disse Minatogawa no momento da abordagem.

No vídeo, ele ainda comenta que os transtornos na região são enormes. Afirmou que tem hospitais funcionando à base de gerador — e isso já virou, infelizmente, um tipo de cena comum sempre que chove forte ou quando a rede da cidade não aguenta a demanda. “Está cheio de pessoas aqui, têm hospitais usando gerador porque a Enel não consegue religar a energia, e tinha gente pedindo propina para religar a luz do cidadão”, declarou.

Como se não bastasse o relato, o subprefeito também teve acesso a uma suposta troca de mensagens em que o funcionário enviava uma chave Pix para receber o pagamento. Essa parte circulou em grupos locais da região, aumentando ainda mais a indignação de quem já estava exausto com a falta de luz.

A Enel São Paulo, por sua vez, divulgou uma nota curta e direta: serviços emergenciais — como reparos e restabelecimento de energia — não têm cobrança. A empresa reforçou que qualquer pedido de pagamento nesse tipo de situação está completamente fora das regras internas. Orientaram os clientes a usarem apenas os canais oficiais caso alguém tente fazer esse tipo de abordagem.

Já a Secretaria da Segurança Pública confirmou que policiais civis do 16º Distrito Policial fizeram a prisão em flagrante por corrupção passiva. O caso foi registrado na própria unidade e o funcionário foi levado para prestar depoimento.

O episódio reacende a discussão sobre a qualidade dos serviços da Enel e o nível de pressão que a população vem sofrendo com os apagões recentes. Numa semana em que parte da cidade ainda tentava se recuperar da falta de energia, o flagrante acabou servindo como mais um capítulo de uma história que muita gente já está cansada de vivenciar. Mas, pelo menos dessa vez, o caso não ficou só no comentário de vizinhança: terminou em prisão.



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