Carla Sarni, da Giolaser, é condenada dias depois de registrar BO contra Torloni

A empresária Carla Sarni, CEO do Grupo Salus, voltou ao centro de uma nova polêmica judicial. No último dia 10 de dezembro, ela foi condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) a indenizar uma franqueada da Giolaser em R$ 362.960,14. O valor, apesar de alto, representa apenas parte do prejuízo alegado pela autora da ação, que afirma ter acumulado perdas de R$ 876.990,18 ao longo do contrato.

A decisão judicial veio em um momento especialmente delicado para Carla. Cinco dias antes da condenação, a empresária havia registrado um Boletim de Ocorrência contra Leonardo Torloni, filho da atriz Christiane Torloni e do diretor Dennis Carvalho. Segundo Carla, Leonardo teria feito ameaças de denunciá-la à imprensa caso não recebesse R$ 3,9 milhões. Para ela, o caso se trata de extorsão.

Leonardo, por outro lado, contesta essa versão. Ele afirma que apenas tenta, por meios legais, recuperar prejuízos causados por um modelo de negócios que considera inviável. Ex-franqueado tanto da Giolaser quanto da Sorridents, Leonardo diz ter investido mais de R$ 7 milhões, acumulando perdas superiores a R$ 11 milhões, enquanto a franqueadora teria arrecadado mais de R$ 3 milhões em royalties no mesmo período. A disputa, portanto, vai muito além de um simples desentendimento comercial.

No processo que resultou na condenação, a franqueada relata problemas semelhantes aos apontados por Leonardo. Segundo os autos, ela foi atraída por uma propaganda agressiva da Giolaser, que prometia alta rentabilidade e associava a marca à imagem da atriz Giovanna Antonelli, então sócia de Carla no negócio. A promessa de retorno rápido foi decisiva para o investimento.

No entanto, após assumir a unidade, a realidade se mostrou bem diferente. A franqueada afirma que a clínica era economicamente inviável, acumulando prejuízos mensais acima de R$ 50 mil. Além disso, relata uma série de práticas abusivas, como cobranças indevidas, retenções automáticas de valores, lançamentos financeiros sem respaldo contratual, exclusão de grupos oficiais da rede e o uso continuado da imagem de Giovanna Antonelli mesmo após sua saída da sociedade.

Na sentença, o juiz Fábio Henrique Prado de Toledo determinou a anulação do contrato de franquia e condenou Carla Sarni e o Grupo Salus ao ressarcimento de R$ 362.960,14. A decisão reforça a tese de que houve desequilíbrio na relação entre franqueadora e franqueado.

Paralelamente, o caso ganhou novos contornos com investigações mais amplas. Carla Sarni e Giovanna Antonelli passaram a ser investigadas por crimes como propaganda enganosa e pirâmide financeira. Giovanna deixou a sociedade logo após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) aceitar a primeira denúncia, no fim de 2024. Ainda assim, isso não impediu que a atriz se tornasse alvo de um novo inquérito criminal, instaurado em 3 de junho, envolvendo acusações graves como concorrência desleal, crime contra a economia popular, falsidade ideológica e pirâmide financeira. A representação foi assinada por 46 franqueados e ex-franqueados.

Além das ações judiciais, surgiram relatos de um clima interno marcado por pressão e medo. Um áudio obtido pela imprensa mostra Carla Sarni exaltada, gritando e xingando funcionários durante uma reunião. Na gravação, ela exige que os colaboradores pressionem franqueados com dificuldades financeiras. “Não é para conversar com franqueado, é para pressionar”, diz a empresária, em tom agressivo.

O caso segue em andamento e promete novos desdobramentos. Enquanto isso, franqueados relatam perdas, investidores cobram explicações e a imagem de um dos maiores grupos de franquias da área estética do país segue sob forte desgaste público.



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