O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se pronunciou publicamente depois de ter o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, decisão confirmada na tarde desta quinta-feira (18/12) pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). O anúncio caiu como uma bomba no meio político e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, onde o parlamentar mantém forte presença e engajamento.
Em um vídeo divulgado pouco depois da decisão, Eduardo adotou um tom duro e, ao mesmo tempo, emotivo. Disse que teve o mandato “caçado” — usando a palavra de forma proposital — e fez questão de comparar sua situação com outros escândalos já vistos no Congresso. “Não foi por corrupção, não foi por dinheiro na cueca e nem por envolvimento com tráfico de drogas. Muito pelo contrário. Cassaram o meu mandato por eu fazer exatamente aquilo que meus eleitores esperavam de mim”, afirmou. Na sequência, agradeceu aos votos recebidos em 2022, lembrando que foi, segundo ele, o deputado federal mais votado da história do Brasil.
O parlamentar também comentou sua permanência nos Estados Unidos, onde está desde fevereiro. Para Eduardo, a narrativa de que ele teria optado por ficar fora do país por vontade própria não reflete a realidade completa. Segundo ele, a decisão “valeu a pena” e trouxe consequências práticas. O deputado voltou a mencionar sanções impostas pelo governo americano a autoridades brasileiras, que ele classifica como “ditadores”, reforçando o discurso que já vinha adotando desde que deixou o Brasil.
“Pra mim, o que fica é uma medalha de honra, não a perda de um mandato”, disse. Eduardo ainda afirmou que a história está longe de acabar e apostou no próprio futuro político. Aos 41 anos, destacou que ainda terá “muitos capítulos” pela frente, frase que soou mais como um recado aos adversários do que como simples desabafo.
Em outro trecho do vídeo, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro mirou diretamente nos colegas parlamentares que votaram pela cassação. Relembrou a campanha de 2022, quando pediu votos não apenas para si, mas também para outros candidatos do seu grupo político em São Paulo. Disse que ajudou a eleger uma bancada forte e que sempre jogou “pro time”. Segundo Eduardo, muitos desses deputados, que não teriam sido eleitos por outros partidos, agora estariam votando pela perda de seu mandato. A crítica veio carregada de frustração e um tom visivelmente ressentido.
O documento oficial da cassação traz as assinaturas de membros da Mesa Diretora: Carlos Veras (PT-PE), Primeiro-Secretário; Lula da Fonte (PP-PE), Segundo-Secretário; Delegada Katarina (PSD-SE), Terceira-Secretária; Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP), Primeiro Suplente; Paulo Folleto (PSB-ES), Segundo Suplente; e Dr. Victor Linhalis (Podemos-ES), Terceiro Suplente. A composição diversa da Mesa também alimentou debates nas redes, com apoiadores e críticos trocando acusações ao longo do dia.
Além de Eduardo Bolsonaro, a Câmara também cassou o mandato de Alexandre Ramagem (PL-RJ). No caso de Ramagem, a situação é ainda mais grave. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos e 1 mês de prisão por envolvimento na chamada trama golpista. Em setembro, deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos, sendo atualmente considerado foragido da Justiça.
Já Eduardo teve o mandato cassado por acúmulo de faltas. Sem autorização para votar à distância, tentou manter atuação política ao assumir a liderança da minoria, mas a estratégia foi barrada por Hugo Motta. Com isso, as ausências passaram a contar oficialmente, levando ao desfecho anunciado nesta quinta. O episódio ocorre em meio a um cenário político já tenso, com embates frequentes entre Congresso, STF e figuras ligadas ao bolsonarismo, mostrando que o clima em Brasília continua longe de esfriar.