Perícia da PF acende alerta e indica cirurgia urgente em Bolsonaro

A Polícia Federal concluiu, em laudo pericial enviado ao Supremo Tribunal Federal, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é portador de hérnia inguinal bilateral e que o quadro exige cirurgia em caráter eletivo. O documento também confirmou a necessidade de um procedimento específico para tratar os soluços persistentes, apontando que o chamado bloqueio do nervo frênico é tecnicamente indicado diante da falta de resposta aos tratamentos já tentados.

De acordo com a conclusão da junta médica da PF, o procedimento cirúrgico deve ser realizado o mais breve possível. Os peritos destacam que a situação vem se agravando, principalmente por causa da piora do sono e da alimentação do ex-presidente. Além disso, há o risco de complicações relacionadas às hérnias, já que o aumento da pressão intra-abdominal pode acelerar o quadro e trazer consequências mais sérias se não houver intervenção.

O laudo foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, nesta sexta-feira (19/12), e agora cabe a ele decidir se autoriza ou não a saída temporária de Bolsonaro para a realização da cirurgia, além de definir a data do procedimento. O documento da PF reforça que, após análise clínica e dos exames apresentados, ficou claro que Bolsonaro “é portador de hérnia inguinal bilateral que necessita reparo cirúrgico”.

A defesa reagiu rapidamente após a entrega do laudo. O advogado Paulo Cunha Bueno afirmou que o resultado da perícia apenas confirmou o que já havia sido apontado pelos médicos que acompanham o ex-presidente. Segundo ele, o parecer da Polícia Federal “ratificou o diagnóstico” e, por isso, a internação para a realização das cirurgias deveria ser autorizada pelo ministro relator. Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão agora está mais técnica do que jurídica.

Atualmente, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após condenação no processo relacionado à trama golpista. Por esse motivo, qualquer deslocamento para fora da unidade precisa de autorização expressa do STF. A defesa solicitou que o ex-presidente seja transferido temporariamente para o Hospital DF Star, um hospital particular da capital federal, onde a equipe médica considera mais adequado realizar o procedimento.

A perícia médica foi realizada na última quarta-feira (17/12), dentro do complexo da Superintendência Regional da PF. A avaliação foi determinada diretamente por Alexandre de Moraes, que também pediu o envio de todos os exames e laudos médicos apresentados pelos advogados de Bolsonaro. Esse material foi analisado em conjunto com a avaliação clínica presencial para a elaboração do parecer final.

Entre os exames apresentados pela defesa, está um ultrassom feito no domingo anterior (14/12), que identificou duas hérnias inguinais. Segundo os médicos, a cirurgia não pode ser realizada em ambiente prisional, tanto por limitações estruturais quanto por questões de segurança e acompanhamento pós-operatório. A estimativa é que Bolsonaro precise permanecer internado entre cinco e sete dias, dependendo da evolução após o procedimento.

O caso reacende o debate sobre a situação de saúde de presos em casos de grande repercussão nacional, especialmente quando envolve figuras públicas. Nas redes sociais, aliados e críticos do ex-presidente voltaram a trocar acusações, enquanto especialistas ressaltam que decisões desse tipo costumam seguir critérios técnicos, independentemente do histórico político do paciente.

Agora, com o laudo da Polícia Federal em mãos, a expectativa gira em torno da decisão de Moraes. Se a autorização for concedida, Bolsonaro poderá deixar temporariamente a custódia da PF para realizar a cirurgia. Até lá, o assunto segue no centro do noticiário, misturando saúde, política e Justiça — uma combinação que, no Brasil de hoje, nunca passa despercebida.



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