Médicos divulgam nota e trazem informação urgente sobre cirurgia de Bolsonaro

Os médicos responsáveis por acompanhar o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro divulgaram uma nota oficial trazendo novos detalhes sobre o quadro clínico do antigo chefe do Executivo. O comunicado, assinado pelo cirurgião Claudio Birolini e pelo cardiologista Leandro Echenique, informa que Bolsonaro precisará passar por uma cirurgia para correção de uma hérnia inguinal bilateral, procedimento que deve exigir alguns dias de internação hospitalar.

De acordo com os profissionais, exames recentes apontaram uma situação que inspira cuidados. Parte do intestino estaria se expandindo para fora da parede abdominal, o que acaba gerando aumento da pressão interna e desconforto constante. Esse quadro, segundo os médicos, estaria diretamente ligado a outro problema que vem chamando atenção nos últimos dias: crises intensas e frequentes de soluços.

Para se ter ideia da gravidade, Bolsonaro estaria apresentando algo em torno de 40 soluços por minuto. Parece até exagero, mas quem já sofreu com soluço persistente sabe o quanto isso pode ser desgastante, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Não é apenas incômodo, é dor, cansaço e dificuldade até para falar ou dormir direito.

Na nota divulgada, os médicos foram diretos ao explicar o próximo passo. “Diante dos achados clínicos e de imagem, ele será submetido ao tratamento cirúrgico denominado herniorrafia inguinal bilateral”, diz um trecho do documento. Em termos mais simples, trata-se de uma cirurgia para corrigir a hérnia nos dois lados da região inguinal.

Mas não para por aí. Além da cirurgia principal, Bolsonaro também deverá passar por um outro procedimento menos conhecido do público em geral: o bloqueio anestésico do nervo frênico. Esse nervo é o responsável pelos movimentos do diafragma, e o objetivo do bloqueio é justamente tentar reduzir ou controlar as crises de soluços, que até agora não responderam bem aos medicamentos.

Segundo os médicos, o ex-presidente já foi medicado para tentar conter o problema, mas o tratamento não surtiu o efeito esperado. Por isso, a equipe optou por um protocolo mais invasivo, porém considerado eficaz em casos semelhantes. “Considerando a presença de soluços persistentes e refratários ao tratamento medicamentoso instituído, está programado, durante o período de internação hospitalar, a realização de bloqueio anestésico do nervo frênico”, explicaram.

Enquanto isso, o cenário jurídico também segue em paralelo. Na última sexta-feira (19), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, autorizou que Bolsonaro deixasse a Superintendência da Polícia Federal para realizar os procedimentos médicos necessários. A decisão veio após uma perícia apontar que as cirurgias deveriam ocorrer o quanto antes, embora não em caráter de urgência imediata.

Esse detalhe foi essencial para a avaliação do ministro, que destacou que o procedimento é eletivo, ou seja, pode ser agendado. Diante disso, Moraes solicitou que a defesa do ex-presidente sugerisse uma data para a realização das cirurgias, evitando qualquer interpretação de emergência extrema no quadro clínico.

Nesta segunda-feira (22), Bolsonaro completa um mês de detenção na sede da Polícia Federal, período marcado por tensão política, debates nas redes sociais e, agora, preocupação com a saúde. Em um país onde tudo vira discussão, até um quadro médico acaba ganhando contornos políticos. Mas, neste caso, os fatos clínicos falam por si.

Resta agora aguardar os próximos dias, a definição da data do procedimento e, principalmente, a recuperação do ex-presidente. Independentemente de posição ideológica, saúde não escolhe lado — e quando o corpo cobra, não tem discurso que segure.



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