A principal suspeita de ter assassinado a brasileira Lucinete Freitas, de 55 anos, é justamente a patroa para quem ela trabalhava como babá em Portugal. A mulher, que também é brasileira, não teve o nome divulgado pelas autoridades e está presa. A informação foi confirmada ao portal Metrópoles pelo marido da vítima, José Teodoro Jr., ainda bastante abalado com tudo o que veio à tona nos últimos dias.
O corpo de Lucinete foi encontrado em uma área isolada, com mata fechada, em território português. Segundo a Polícia Judiciária, o crime teria ocorrido por motivo fútil, o que aumentou ainda mais a revolta de familiares e amigos. Em nota divulgada na sexta-feira (19/12), os investigadores afirmaram que o caso foi solucionado após um trabalho intenso, descrito como “ininterrupto”, desde o registro do desaparecimento.
“Após intenso e ininterrupto trabalho de investigação, foi possível alcançar consistentes elementos indiciários que permitiram encontrar o cadáver da vítima e identificar, localizar e deter a suspeita”, informou a polícia portuguesa. A brasileira foi detida por fortes indícios de homicídio qualificado, já que as circunstâncias do crime apontam para agravantes, segundo os investigadores.
O caso ganhou repercussão tanto no Brasil quanto em Portugal, especialmente pelo fato de vítima e suspeita serem brasileiras vivendo no exterior. Nas redes sociais, o nome de Lucinete passou a ser citado em publicações que cobram justiça e mais proteção para imigrantes, um tema que volta e meia aparece no noticiário europeu.
O desaparecimento
Lucinete Freitas ficou desaparecida por mais de uma semana em Portugal. O marido contou que o último contato com a esposa aconteceu no dia 5 de dezembro, data que hoje é considerada chave para as investigações. A partir daquele dia, ela simplesmente parou de responder mensagens e não atendeu mais ligações.
Morando sozinha na Europa, Lucinete havia conseguido trabalho como babá em uma casa na cidade de Amadora, região metropolitana de Lisboa. Era um emprego que, segundo a família, representava uma oportunidade de recomeço. A ideia era se estabilizar financeiramente e, em breve, trazer o marido e o filho para morar com ela.
Coincidentemente, o dia 5 de dezembro também foi quando Lucinete agendou uma visita para conhecer um imóvel que pretendia alugar. Ela buscava uma casa maior, já pensando na chegada da família. A visita, no entanto, nunca aconteceu. Desde então, o silêncio foi total.
Desesperado, José Teodoro Jr. tentou contato com colegas da esposa e chegou a procurar a patroa dela em busca de informações. Com o passar dos dias e nenhuma resposta concreta, o caso foi comunicado às autoridades portuguesas, que iniciaram oficialmente a investigação.
Sonhos interrompidos
Lucinete era natural do Ceará, mãe de um adolescente de 14 anos, e havia se mudado para Portugal em abril de 2025. O plano da família era claro: trabalhar, economizar e, em 2026, recomeçar a vida juntos na Europa. José e o filho permaneciam em Fortaleza (CE) enquanto aguardavam o momento certo da mudança.
A confirmação da morte, dias depois, destruiu qualquer esperança. “A gente sempre acha que vai ter um final diferente”, disse um familiar próximo, em conversa reservada. Agora, o que resta é a dor e a expectativa por justiça.
As autoridades portuguesas seguem apurando detalhes do crime, incluindo a motivação exata e a dinâmica dos fatos. A família de Lucinete acompanha tudo à distância, tentando entender como um sonho de mudança acabou se transformando em uma tragédia brutal.