Pai e filho perdem a vida em rio no ES; ele estudava para ser pastor

A tragédia que abalou Jerônimo Monteiro, no sul do Espírito Santo, deixou a cidade em silêncio e comovida. Um pai de 41 anos perdeu a vida ao tentar salvar o próprio filho, de apenas 7 anos, que se afogava em um rio na zona rural do município. O caso aconteceu na última quinta-feira (25) e ganhou repercussão não só pela dor envolvida, mas pelo gesto extremo de amor e desespero de um pai diante do perigo.

Jeremias Machado Ribeiro estava com a família quando percebeu que o filho, Bernardo de Barros Ribeiro, havia entrado em dificuldade dentro da água. Segundo relatos de familiares, a criança começou a se afogar repentinamente. Sem pensar duas vezes, Jeremias entrou no rio para tentar resgatar o menino. No entanto, os dois acabaram desaparecendo, o que deu início a uma corrida contra o tempo.

As buscas começaram ainda no mesmo dia, com apoio do Corpo de Bombeiros. Porém, devido ao horário avançado e às condições do local, os trabalhos precisaram ser interrompidos e retomados na manhã seguinte. A esperança de encontrar pai e filho com vida mobilizou moradores da região, que acompanharam apreensivos cada atualização. Infelizmente, na sexta-feira (26), os corpos de Jeremias e Bernardo foram localizados.

O sepultamento aconteceu no sábado (27), no Cemitério Municipal de Jerônimo Monteiro, em meio a um clima de profunda comoção. Amigos, parentes e membros da igreja onde Jeremias congregava estiveram presentes para prestar as últimas homenagens. Os caixões permaneceram fechados, após a realização dos exames de necropsia, como procedimento padrão.

Jeremias era conhecido na cidade não apenas como trabalhador, mas também por sua atuação religiosa. Ele era presbítero e havia pregado pela última vez no dia 21 de dezembro, na Igreja Assembleia de Deus Efraim, localizada no centro do município. Coincidentemente — ou dolorosamente simbólico —, sua última mensagem foi sobre o valor do tempo com a família e a imprevisibilidade da vida.

“Temos que aproveitar o momento. Não sabemos o dia de amanhã”, disse ele durante o culto, frase que agora ecoa de forma ainda mais forte entre os fiéis e familiares.

Natural do Rio de Janeiro, Jeremias morava em Itaboraí e trabalhava como caldeireiro. Ele estava no Espírito Santo acompanhado da esposa e dos três filhos para passar o Natal em uma chácara da família, aproveitando o período de descanso e confraternização. O que deveria ser um momento de alegria acabou se transformando em uma das maiores dores que a família poderia enfrentar.

De acordo com parentes próximos, Jeremias havia concluído recentemente provas ministeriais e se preparava para se tornar pastor. Era descrito como um homem dedicado, tranquilo e muito ligado aos filhos. Pessoas próximas afirmam que ele sempre foi presente e cuidadoso, daqueles pais que fazem questão de participar de tudo, mesmo na correria do dia a dia.

Casos como esse reacendem debates sobre segurança em rios e áreas naturais, especialmente durante períodos de festas e férias, quando famílias costumam viajar e frequentar locais com água. Só neste fim de ano, várias ocorrências semelhantes foram registradas no Brasil, o que reforça a necessidade de atenção redobrada, mesmo em ambientes aparentemente tranquilos.

Jerônimo Monteiro segue em luto. A história de Jeremias e Bernardo não é apenas uma notícia triste, mas um retrato cru do amor de um pai que, até o último segundo, tentou proteger o filho. Uma perda que dói, marca e deixa uma lição difícil de esquecer.



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