Vorcaro recebeu Moraes, Motta e políticos do Centrão em mansão

O nome de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou a circular com mais força nos bastidores de Brasília nos últimos meses. Não apenas por causa das investigações que pesam contra ele, mas também pelo trânsito livre que o banqueiro manteve — ou ainda mantém — com autoridades dos mais variados espectros do poder. E tudo isso tendo como pano de fundo uma mansão avaliada em R$ 36 milhões, localizada no Lago Sul, uma das áreas mais nobres do Distrito Federal.

Segundo revelou o jornal O Globo, Vorcaro promoveu jantares luxuosos em sua residência para figuras de alto escalão da política e do Judiciário. Entre os convidados estaria o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, além do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e outros nomes ligados ao Centrão. Em Brasília, esse tipo de encontro nunca passa despercebido, ainda mais quando envolve alguém sob investigação.

De acordo com a reportagem, Moraes teria participado de um desses jantares no último trimestre de 2024. O detalhe que chamou atenção veio depois: no mesmo período, o Banco Master já havia fechado um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro. A coincidência levantou questionamentos e comentários nos corredores do poder, embora, até agora, não haja manifestação pública explicando o contexto dessas relações.

Outros políticos conhecidos também já teriam sido recebidos por Vorcaro. Entre eles, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além de deputados federais e ex-ministros que frequentam o centro decisório de Brasília. Até o momento, nenhum dos nomes citados confirmou oficialmente o motivo dos encontros, nem se eles tinham caráter institucional, social ou apenas informal. Esse silêncio, claro, só aumentou as especulações.

A proximidade do banqueiro com autoridades ganhou ainda mais destaque após o avanço da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema de emissão de títulos de crédito considerados irregulares — ou até falsos — por integrantes do próprio Sistema Financeiro Nacional. É coisa séria, que vai além de fofoca política ou conversa de bastidor.

Em novembro, a situação de Vorcaro se agravou. Ele chegou a ser preso no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no momento em que se preparava para embarcar em um jatinho particular com destino ao exterior. A cena chamou atenção e virou notícia rapidamente. Pouco tempo depois, no entanto, a prisão foi convertida em medidas cautelares, e o empresário acabou liberado, passando a responder em liberdade.

Nos bastidores, o caso é tratado como mais um exemplo de como negócios, política e poder costumam se misturar em Brasília. Para alguns analistas, os jantares oferecidos por Vorcaro seguem uma velha tradição da capital: encontros discretos, boa comida, conversas longas e decisões que, muitas vezes, não aparecem nas atas oficiais. Para outros, a situação exige explicações mais claras, principalmente diante das investigações em andamento.

Enquanto isso, o assunto segue rendendo comentários nas redes sociais e nos corredores do Congresso. Em um país ainda sensível a escândalos financeiros e relações pouco transparentes entre empresários e autoridades, qualquer detalhe vira combustível para debate. Resta saber se os envolvidos irão se pronunciar ou se o silêncio continuará sendo a principal resposta. Em Brasília, como se sabe, silêncio também comunica — e muito.



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