The Economist dispara contra Lula e diz: “Presidente não deveria concorrer a reeleição”

O jornal britânico The Economist voltou a mirar seus holofotes sobre o Brasil e, desta vez, o alvo foi direto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um editorial publicado nesta terça-feira (30), a revista afirmou, sem muito rodeio, que Lula não deveria tentar a reeleição em 2026. O argumento central? A idade. Aos 80 anos, segundo o periódico, seria arriscado demais para o país manter alguém tão idoso por mais quatro anos no cargo mais poderoso da República.

O texto não economiza palavras duras. “Lula tem 80 anos. Apesar de todo o seu talento político, é simplesmente arriscado demais para o Brasil ter alguém tão idoso servindo mais quatro anos no cargo máximo. Carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, diz um dos trechos mais comentados do editorial. A frase repercutiu rápido nas redes sociais e dividiu opiniões, como quase tudo que envolve o nome do petista.

Para sustentar a tese, The Economist faz uma comparação direta com os Estados Unidos. O jornal lembra do ex-presidente Joe Biden, que aos 81 anos desistiu de disputar a reeleição depois que sua idade e sua capacidade cognitiva passaram a ser questionadas de forma intensa. O paralelo é claro: líderes experientes, trajetórias longas, mas com limitações naturais impostas pelo tempo.

O editorial destaca ainda que Lula tem apenas um ano a menos do que Biden tinha no mesmo ponto do ciclo eleitoral americano de 2024, considerado “desastroso” pelos analistas internacionais. É verdade, reconhece o próprio jornal, que Lula aparenta estar em melhores condições físicas e políticas do que Biden naquele momento. Mesmo assim, a revista lembra que o presidente brasileiro já enfrentou problemas de saúde recentes, o que acenderia um sinal de alerta.

Em outro trecho, o periódico sugere que uma eventual saída de Lula da disputa abriria espaço para uma “disputa adequada em busca de um novo campeão da centro-esquerda”. Traduzindo: o Brasil precisaria renovar suas lideranças progressistas, algo que muitos analistas internos também vêm defendendo, ainda que de forma mais cautelosa. A crítica, no entanto, não ficou apenas na questão etária.

O jornal britânico também aproveitou para alfinetar a política econômica do atual governo, classificada como “medíocre”. Segundo a análise, o Brasil estaria desperdiçando oportunidades em um cenário internacional instável, marcado por conflitos, juros altos e rearranjos geopolíticos. Para a revista, faltaria ousadia, clareza e reformas mais profundas para recolocar o país em uma rota de crescimento mais sólido.

No Brasil, a reação foi previsível. Aliados de Lula acusaram o jornal de interferência externa e de desconhecer a complexidade da política brasileira. Já críticos do governo viram no editorial uma espécie de validação internacional das preocupações que já vinham sendo levantadas por aqui, especialmente sobre sucessão e futuro da esquerda.

É curioso notar que, goste-se ou não, The Economist costuma influenciar debates mundo afora. Não decide eleições, claro, mas ajuda a moldar narrativas entre investidores, diplomatas e formadores de opinião. E quando um veículo desse porte diz que o presidente de um país não deveria concorrer novamente, o impacto vai além das manchetes.

Resta saber como Lula e o PT vão reagir a esse tipo de pressão. Até agora, o presidente evita falar abertamente sobre 2026, mas aliados já dão como certo que ele será candidato. Se vai ser, se deve ser, aí já é outra história. O fato é que a discussão saiu do campo interno e ganhou o mundo. E isso, gostando ou não, muda o jogo.



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