A Polícia Federal voltou a colocar lupa em um nome conhecido do público: Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desta vez, o nome dele apareceu em meio às investigações que apuram um suposto desvio bilionário de recursos do INSS, um caso que já vinha chamando atenção por envolver lobistas, empresários e cifras altas demais pra passar batido.
Segundo informações divulgadas pela CNN, o nome de Lulinha surgiu tanto em depoimentos quanto em materiais apreendidos pela PF durante diligências recentes. As citações teriam aparecido no contexto da operação que mirou a empresária Roberta Luchsinger, realizada em dezembro do ano passado. Um policial ouvido sob reserva afirmou que essas menções passaram a ser analisadas com mais cuidado a partir daí.
Nos bastidores da investigação, a Polícia Federal apura se haveria uma possível sociedade oculta entre Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Essa ligação, de acordo com os investigadores, teria sido intermediada justamente por Roberta Luchsinger. A defesa da empresária, no entanto, rebate com firmeza e nega qualquer atuação dela como ponte entre as partes. Segundo os advogados, essa versão não se sustenta nos autos.
Fontes ligadas à PF explicam que a verificação do nome de Lulinha faz parte do procedimento normal de qualquer inquérito desse porte. Nas palavras de um investigador, a checagem é “natural” e necessária para confirmar se existem, ou não, indícios mínimos que justifiquem um aprofundamento. Ou seja, até aqui, não se fala em acusação formal, mas sim em apuração preliminar, algo que costuma ocorrer em casos complexos como esse.
O advogado Marco Aurélio Carvalho, que já atuou na defesa de Lulinha em outros episódios, foi direto ao comentar o assunto. Em declaração à CNN, ele afirmou que “não há envolvimento algum de Fábio Luís em relação às fraudes do INSS”. Para ele, o vazamento dessas informações seria “criminoso” e teria como objetivo criar um desgaste político. O advogado disse ainda que pretende procurar a própria Polícia Federal para tratar do caso.
A investigação ganhou ainda mais repercussão após detalhes da chamada Operação Sem Desconto. A ação da PF revelou pagamentos que somam cerca de R$ 1,5 milhão, supostamente ordenados pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes. Os valores teriam sido repassados a uma empresa ligada à empresária Roberta Luchsinger, apontada como próxima de Lulinha. Os investigadores desconfiam que esses pagamentos tenham sido justificados por serviços que, na prática, não foram prestados.
Até o momento, Lulinha não figurava oficialmente como investigado no inquérito. Mesmo assim, o surgimento de seu nome acabou alimentando pedidos de convocação dele na CPMI que apura as fraudes no INSS, instalada no Congresso em meio a um clima político já bastante tenso neste início de ano. Vale lembrar que escândalos envolvendo o instituto sempre geram forte reação popular, principalmente por atingir aposentados e pensionistas.
Questionado sobre o assunto, o próprio presidente Lula comentou o caso de forma pública. Disse que ninguém ficará protegido por laços familiares e que, se houver envolvimento de qualquer filho seu, a investigação deve acontecer. “Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”, afirmou o presidente, numa fala que repercutiu bastante nas redes sociais e nos bastidores de Brasília.
Por enquanto, o caso segue em apuração, com versões desencontradas, negativas da defesa e muita especulação. Como em outras investigações recentes, o desafio da PF será separar fatos concretos de ruído político, algo que nem sempre é fácil nesse tipo de cenário.