Pastor e familiares são assassinados dentro de casa, e filho confessa o crime

A manhã desta quarta-feira (7) começou de forma trágica em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Um crime brutal chocou moradores do bairro Santa Cecília e rapidamente ganhou repercussão em toda a cidade. Entre as cinco vítimas está o pastor aposentado João Batista Fernandes Souza, de 74 anos, bastante conhecido na comunidade evangélica local. O autor dos assassinatos, segundo a Polícia Militar, é filho do próprio João Batista e foi preso pouco tempo depois, já tendo confessado o crime.

Além do pastor, também morreram a madrasta do suspeito, duas irmãs e um sobrinho de apenas 5 anos. Todos viviam em um mesmo terreno, onde há um conjunto de casas na Rua Rita Monteiro. O local, geralmente tranquilo, virou cenário de uma violência que ninguém da vizinhança parecia imaginar que pudesse acontecer ali. Moradores relatam choque, silêncio e muita incredulidade desde as primeiras horas do dia.

João Batista era pastor aposentado da Igreja do Nazareno, denominação em que atuou por muitos anos. Mesmo após deixar oficialmente o ministério, continuava sendo uma figura respeitada e procurada por conselhos. Paralelamente, trabalhava como marceneiro, profissão que exercia com orgulho. Segundo pessoas próximas, ele enfrentava um tratamento contra câncer de próstata, mas mantinha a rotina dentro do possível e seguia participando da vida da igreja.

A notícia da morte do religioso causou forte comoção entre lideranças cristãs de Juiz de Fora. Nas redes sociais, o presidente do Conselho de Pastores da cidade, pastor Célio Neto, publicou uma mensagem lamentando profundamente a tragédia. “Deixo aqui minhas condolências para todos os familiares por essa perda, essa tragédia, e também para toda comunidade cristã de Juiz de Fora. Que Deus possa trazer consolo e paz aos integrantes da família depois dessa tragédia que aconteceu no nosso meio”, escreveu.

De acordo com informações da Polícia Militar, os crimes ocorreram nas primeiras horas da manhã. Um irmão do autor foi quem encontrou os corpos, no momento em que saía para o trabalho. O tenente-coronel Flávio Tafúri explicou que o agressor teria esperado uma das irmãs sair pelo portão para iniciar o ataque. Câmeras de monitoramento da região registraram parte da ação, o que deve ajudar no inquérito.

Segundo o relato policial, a sequência foi rápida e extremamente violenta. Após atacar as irmãs, o homem matou a madrasta, foi até um dos quartos e atacou o pai, de 74 anos. Em seguida, subiu até a parte superior do imóvel, onde feriu fatalmente a criança de 5 anos. A frieza da dinâmica narrada pelas autoridades aumentou ainda mais a comoção pública.

O suspeito foi localizado em seu próprio apartamento e não resistiu à prisão. No momento da abordagem, ele lavava roupas sujas de sangue e acabou confessando os assassinatos. Familiares informaram à PM que ele vinha apresentando mudanças bruscas de humor nos últimos tempos, com possíveis episódios de surto psicótico. Apesar desses relatos, a Polícia Civil informou que, até agora, não existe laudo médico que comprove qualquer diagnóstico psiquiátrico.

A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Juiz de Fora. A perícia esteve no local ainda pela manhã, e os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML). Segundo a delegada Camila Miller, duas pessoas já prestaram depoimento, e outras devem ser ouvidas nos próximos dias. O caso segue em apuração e levanta, mais uma vez, debates urgentes sobre saúde mental, violência doméstica e prevenção de tragédias dentro do ambiente familiar.



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