Nesta semana, uma notícia caiu como uma bomba no meio cristão e também no mundo editorial religioso. O escritor Philip Yancey, de 76 anos, conhecido mundialmente por livros que falam de fé, graça e esperança, anunciou que vai se afastar definitivamente da escrita, de palestras e das redes sociais. O motivo é sério, delicado e doloroso: ele revelou ter mantido, por oito anos, um relacionamento extraconjugal com uma mulher casada.
A confissão foi feita em um comunicado enviado à revista Christianity Today, publicação com a qual Yancey manteve uma ligação histórica de 26 anos. No texto, o autor não tentou suavizar os fatos. Pelo contrário. Admitiu o erro, falou em vergonha e classificou o relacionamento como um “caso pecaminoso”.
“Para minha grande vergonha, confesso que por oito anos me envolvi voluntariamente em um caso pecaminoso com uma mulher casada”, escreveu. Ele também afirmou que sua conduta contrariou tudo aquilo que acredita sobre casamento, fé e compromisso cristão. Segundo Yancey, não haverá mais detalhes sobre o caso, por respeito à outra família envolvida.
Philip Yancey é casado com Janet Yancey há 55 anos. No mesmo comunicado, ele contou que já confessou o ocorrido diante de Deus e da esposa e que iniciou um processo profissional de aconselhamento e prestação de contas. Disse ainda que os próximos anos serão dedicados exclusivamente à reconstrução da confiança dentro do casamento, longe dos holofotes e da vida pública.
“Por ter me desqualificado para o ministério cristão, estou me aposentando da escrita, da fala pública e das redes sociais”, declarou. A frase, curta e direta, resume o peso da decisão e o impacto que isso tem em sua trajetória.
Janet Yancey também se pronunciou. Em uma declaração comovente, ela afirmou que fala a partir de um lugar de trauma e devastação, mas reforçou o compromisso assumido no altar há mais de cinco décadas. “Fiz um voto matrimonial sagrado e vinculante há 55 anos e meio, e não quebrarei essa promessa”, disse.
Ela ainda destacou sua fé no perdão cristão, mesmo diante da dor profunda. “Aceito e compreendo que Deus, por meio de Jesus, pagou e perdoou os pecados do mundo, inclusive os de Philip”, afirmou. Janet pediu orações e confessou que o perdão, neste momento, é um processo difícil e cheio de feridas abertas. “Que Deus me conceda a graça de também perdoar, apesar do meu trauma insondável”, completou.
A trajetória de Philip Yancey é extensa e influente. Ele iniciou sua carreira no jornalismo em 1971, na revista Campus Life, voltada ao público jovem cristão. Com o tempo, a publicação foi incorporada ao grupo da Christianity Today, onde Yancey atuou como repórter, colunista e editor colaborador. Durante 26 anos, manteve uma coluna fixa na contracapa da revista, tornando-se uma voz respeitada no meio evangélico.
Autor de best-sellers como Maravilhosa Graça e O que há de tão surpreendente na Graça?, Yancey vendeu mais de 15 milhões de livros ao redor do mundo. Seus textos sempre abordaram temas sensíveis como sofrimento, dor, dúvidas da fé e, principalmente, a ideia da graça cristã como expressão máxima do perdão divino.
Em 2023, ele revelou ter sido diagnosticado com a doença de Parkinson, assunto que já havia tratado em textos anteriores. Mesmo assim, ainda mantinha compromissos públicos até este ano, muitos dos quais foram cancelados após o anúncio da aposentadoria. Suas redes sociais também foram desativadas.
O caso reacende debates antigos e difíceis dentro do cristianismo: a distância entre discurso e prática, a fragilidade humana e o peso da responsabilidade pública. Para muitos leitores e admiradores, fica a sensação amarga de decepção. Para outros, a história é um lembrete duro de que ninguém está imune a quedas, por mais inspiradora que seja sua mensagem. Com informações da AE.