Vídeo: Wagner Moura vence Globo de Ouro e provoca reação ao chamar Bolsonaro de “fascista”

Após conquistar o Globo de Ouro 2026 na categoria de Melhor Ator em Filme de Drama, pelo longa O Agente Secreto, o ator Wagner Moura acabou indo além do discurso tradicional de agradecimento. Durante a coletiva de imprensa após a premiação, realizada em Los Angeles, o brasileiro usou o espaço para fazer críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e voltou a falar sobre a importância de o cinema nacional revisitar o período da ditadura militar.

Segundo Wagner, o Brasil ainda convive com marcas profundas deixadas pelo regime autoritário e não pode tratar esse passado como algo distante ou resolvido. Para ele, a produção de filmes que abordem o tema é quase uma obrigação histórica. “A ditadura ainda é uma cicatriz aberta na vida brasileira. Isso aconteceu há apenas 50 anos”, afirmou o ator, em tom sério, sem rodeios. Na sequência, Moura fez referência direta ao período entre 2018 e 2022, classificando o então presidente como um líder de extrema-direita e associando seu governo aos “ecos da ditadura” que, segundo ele, ainda ressoam no cotidiano do país.

A fala rapidamente repercutiu nas redes sociais brasileiras, dividindo opiniões. Enquanto parte do público elogiou a postura do ator e a coragem de se posicionar em um evento internacional, outros criticaram o uso de um prêmio artístico para declarações políticas. Não é de hoje, porém, que Wagner Moura se envolve em debates públicos. O ator já havia se manifestado em outras ocasiões sobre política, direitos humanos e democracia, tanto no Brasil quanto fora dele.

Mas, polêmicas à parte, a noite foi histórica para o cinema nacional. O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu duas das três categorias em que concorria no Globo de Ouro: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Moura. O único prêmio que escapou foi o de Melhor Filme de Drama, que acabou ficando com Hamnet.

O anúncio do prêmio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa foi feito pelos atores Orlando Bloom e Minnie Driver. Na disputa, a produção brasileira superou filmes da Noruega, Espanha, Coreia do Sul, Tunísia e França, mostrando a força do cinema nacional em um cenário cada vez mais competitivo. Ao subir ao palco, Kleber Mendonça Filho fez questão de começar o discurso em tom emocionado: “Eu quero dar um alô ao Brasil: alô, Brasil”. Em seguida, agradeceu a Wagner Moura e destacou a parceria entre os dois. “As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo”, disse o diretor, dedicando o prêmio aos jovens cineastas brasileiros.

Wagner Moura, por sua vez, entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Em seu discurso oficial, falou em português, celebrou a cultura brasileira e não escondeu a admiração por Kleber Mendonça Filho, a quem chamou de “um gênio”. Ele também ressaltou a amizade construída ao longo do projeto, algo que, segundo ele, fez toda a diferença no resultado final do filme.

Na mesma categoria, concorriam nomes de peso como Joel Edgerton, Oscar Isaac, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan e Jeremy Allen White, o que torna a vitória do brasileiro ainda mais simbólica. A conquista também marca o retorno do Brasil ao topo da premiação, já que a última vitória na categoria de Filme em Língua Não Inglesa havia ocorrido em 1999. No ano passado, quem brilhou foi Fernanda Torres, vencedora como Melhor Atriz em Filme de Drama por Ainda Estou Aqui.

Entre os demais destaques da noite, Paul Thomas Anderson levou o prêmio de Melhor Direção por Uma Batalha Após a Outra, enquanto Timothée Chalamet venceu como Melhor Ator em Musical ou Comédia por Marty Supreme. Na televisão, a série Adolescência se destacou com dois prêmios de atuação, consolidando-se como um dos grandes sucessos do ano.

No fim das contas, o Globo de Ouro 2026 ficará marcado não só pelas estatuetas, mas também pelo discurso forte de Wagner Moura, que misturou arte, política e memória histórica — algo que, goste-se ou não, continua rendendo debate.



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