A partir do dia 21 de janeiro de 2026, os Estados Unidos vão suspender a emissão de vistos de imigrantes para cidadãos do Brasil e de outros 74 países, segundo informações divulgadas inicialmente pela Fox News. A notícia caiu como uma bomba entre quem sonha em viver legalmente no país norte-americano, especialmente brasileiros que já estavam com planos avançados ou até com entrevistas marcadas.
Em contato com o jornalista Sam Pancher, do Metrópoles, o Departamento de Estado dos EUA confirmou, por e-mail, que 75 países terão a concessão de vistos suspensa. No entanto, o órgão evitou detalhar oficialmente quais nações estão na lista completa, o que aumentou ainda mais a tensão e a sensação de incerteza entre os imigrantes.
Pouco depois, o próprio Departamento de Estado usou as redes sociais para justificar a decisão. Segundo a publicação, os Estados Unidos irão “suspender o processamento de vistos de imigrantes de países cujos migrantes recebem benefícios sociais do povo americano em taxas consideradas inaceitáveis”. Ainda de acordo com o comunicado, o congelamento seguirá válido até que o governo consiga garantir que os novos imigrantes “não irão extrair riqueza do povo americano”.
De acordo com a Fox News, além do Brasil, a lista inclui países como Rússia, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia, Somália e Iêmen. A medida, segundo o governo americano, tem como objetivo principal evitar que novos imigrantes se tornem um “fardo econômico” para o país. A fala foi reforçada pelo porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggot, que afirmou que a intenção é tornar inelegíveis pessoas que possam “explorar a generosidade do povo americano”.
Essa postura mais dura não surgiu do nada. No último dia 12, o perfil oficial do Departamento de Estado no X (antigo Twitter) comemorou a revogação de cerca de 100 mil vistos considerados irregulares. Na publicação, o órgão destacou que continuará deportando “criminosos” como forma de “manter a América segura”. A mensagem foi vista por muitos como um recado claro de que a política migratória entrou, de vez, em um modo ainda mais rígido.
Vale lembrar que, já em novembro de 2025, o governo americano havia enviado comunicados a consulados espalhados pelo mundo orientando a aplicação de critérios mais severos na análise de pedidos de visto. Tudo isso com base na chamada cláusula de “encargo público”, prevista na legislação migratória dos EUA.
Na prática, os agentes consulares passaram a avaliar com mais peso fatores como estado de saúde, incluindo a possibilidade de necessidade de tratamentos médicos prolongados, idade, nível de inglês e, principalmente, situação financeira do candidato. Pessoas mais velhas, com sobrepeso ou com histórico de uso de assistência governamental também passaram a enfrentar maior risco de ter o visto negado. É duro falar isso, mas virou quase um filtro silencioso.
No Brasil, o assunto já chegou ao Itamaraty, que informou que a questão deve ser tratada diretamente com a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. A reportagem também procurou a representação diplomática americana no país, mas até o fechamento deste texto, não houve resposta oficial.
Enquanto isso, milhares de brasileiros seguem apreensivos. Tem gente que vendeu carro, largou emprego, adiou casamento. Outros estavam contando os dias. Agora, tudo ficou no ar. E a pergunta que mais se escuta é simples, mas pesada: e agora?