Eduardo Bolsonaro perde cargo e é flagrado dirigindo como ‘uber’ nos EUA

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou a chamar atenção nas redes sociais ao protagonizar um momento de descontração — ou provocação, como preferem alguns — ao brincar com sua nova fase vivendo nos Estados Unidos. Em um vídeo que circulou rapidamente entre apoiadores e críticos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece se apresentando, de forma irônica, como motorista de aplicativo, o famoso “Uber”.

No registro, Eduardo adota um tom leve, quase debochado. Ele fala como se estivesse iniciando uma nova carreira, faz piadas sobre a rotina ao volante e encerra a gravação com o clássico pedido feito por motoristas aos passageiros: “não esqueçam de dar cinco estrelas”. A publicação viralizou em poucos minutos, rendendo milhares de comentários, curtidas e, claro, críticas. Enquanto alguns internautas entraram na brincadeira, outros apontaram falta de seriedade diante do momento político delicado que ele enfrenta.

A gravação acontece em meio a uma fase turbulenta da trajetória do ex-parlamentar. Longe do Brasil, Eduardo Bolsonaro tenta manter presença pública por meio das redes sociais, espaço que se tornou sua principal vitrine política. Em tempos de polarização extrema, qualquer postagem ganha proporções maiores do que o esperado, especialmente quando envolve nomes ligados diretamente ao bolsonarismo.

Mas por trás do tom descontraído do vídeo, existe um contexto bem mais sério. Eduardo Bolsonaro teve seu mandato de deputado federal cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados devido ao excesso de faltas em sessões deliberativas. A medida seguiu o que determina a Constituição, que prevê a perda do cargo para parlamentares que faltarem a mais de um terço das sessões sem justificativa adequada.

O processo que levou à cassação começou ainda em março, quando Eduardo viajou aos Estados Unidos e solicitou licença do mandato. À época, a autorização foi concedida, mas tinha prazo determinado. O problema surgiu quando o período de licença expirou, em 21 de julho, e o então deputado não retornou ao Brasil. Mesmo assim, continuou ausente das votações e debates no plenário, acumulando faltas não justificadas.

Em setembro, a situação ficou ainda mais delicada. O então presidente da Câmara, Arthur Lira, rejeitou a indicação de Eduardo Bolsonaro para assumir a liderança da minoria. O argumento foi direto: não seria possível exercer plenamente um mandato parlamentar estando fora do país. A decisão foi vista como um recado claro de que a paciência da Casa havia chegado ao limite.

Além da questão das faltas, Eduardo Bolsonaro enfrenta outro problema de peso. Ele é alvo de um processo no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga sua suposta atuação para promover sanções internacionais contra o Brasil. Segundo a acusação, o objetivo seria interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado por envolvimento na tentativa de golpe associada aos atos de 8 de janeiro de 2023.

O caso ganhou repercussão justamente por envolver articulações fora do país e possíveis impactos na soberania nacional, tema sensível e constantemente explorado no debate político atual. Enquanto isso, Eduardo segue nos Estados Unidos, alternando discursos duros, postagens polêmicas e, como visto recentemente, vídeos em tom de piada.

Para alguns analistas, a estratégia é clara: manter-se relevante nas redes, mesmo fora do cenário institucional. Para outros, esse tipo de postura pode acabar desgastando ainda mais sua imagem. Fato é que, entre brincadeiras de “motorista de aplicativo” e processos judiciais, Eduardo Bolsonaro continua no centro das atenções — e dificilmente passará despercebido nos próximos capítulos da política brasileira.



Recomendamos