Prefeitura de SP diz lamentar decisão de Moraes sobre mototáxi

São Paulo e a polêmica sobre regulamentação do transporte por aplicativo de mototáxi

A recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou um verdadeiro alvoroço na Prefeitura de São Paulo. O ministro suspendeu alguns trechos da regulamentação municipal que diz respeito ao transporte pago de passageiros através de motocicletas, especialmente aquelas que operam por meio de aplicativos. Isso, sem dúvida, chamou a atenção da população e levantou várias questões sobre a segurança viária na capital paulista.

A reação da Prefeitura

A gestão do prefeito Ricardo Nunes, do MDB, se manifestou oficialmente em nota enviada à CNN Brasil, onde expressou seu descontentamento com a decisão. Segundo a nota, a Prefeitura “lamenta profundamente” a postura do ministro, que, ao entender do município, demonstra uma falta de sensibilidade diante de um problema que tem gerado um aumento significativo no número de mortes no trânsito. Essa afirmação é reforçada pela realidade vivida nas ruas da cidade, onde o trânsito caótico é uma preocupação constante.

Além disso, a administração municipal argumenta que, de acordo com a legislação federal, é direito do município regulamentar essa atividade levando em consideração os riscos e a periculosidade do serviço. O texto enfatiza que a decisão do STF “desrespeita frontalmente uma decisão colegiada de vereadores eleitos pela população”, que discutiram o tema por vários meses antes de chegar a uma conclusão.

Dados alarmantes sobre segurança viária

Para embasar suas críticas, a Prefeitura apresentou dados alarmantes sobre segurança viária. Em 2025, por exemplo, houve o registro de 475 acidentes fatais envolvendo motociclistas apenas na capital. Isso levanta um ponto crucial: a segurança dos cidadãos que utilizam esse tipo de transporte, que, a cada dia, se torna mais comum na rotina das pessoas. Um caso que chocou a cidade foi o da jovem Larissa Barros Máximo Torres, de 22 anos, que perdeu a vida em um acidente em maio do ano passado, quando empresas ainda operavam o serviço, mesmo após uma decisão desfavorável do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Esse tipo de tragédia não é isolado. Segundo a Prefeitura, a rede pública de hospitais teve 3.744 internações em 2024 relacionadas a traumas em motociclistas. Além disso, o município gasta cerca de R$ 35 milhões anualmente para cuidar de vítimas de acidentes envolvendo motos. Esses números evidenciam a urgência de uma regulamentação eficaz e mais rígida para esse setor.

Críticas à decisão do STF

A gestão de Ricardo Nunes também criticou a decisão de Moraes, argumentando que ela diminui a responsabilidade das empresas que oferecem esse tipo de serviço. Para a Prefeitura, isso abre espaço para que a falta de critérios rigorosos aumente ainda mais o número de vítimas na cidade. Essa é uma preocupação válida, considerando o histórico recente de acidentes e a necessidade de garantir a segurança dos usuários e motociclistas.

Além disso, a administração municipal vê a decisão como um desrespeito tanto ao Legislativo quanto ao Executivo locais, que têm um papel fundamental na criação de leis que visam proteger a população. Para a gestão, é crucial que o STF, em uma futura decisão colegiada, reconheça a autonomia do município para regulamentar essas atividades de acordo com o que é garantido pela legislação.

O futuro da regulamentação de mototáxis em São Paulo

Por fim, a Prefeitura de São Paulo confiou que o STF irá reconsiderar a liminar emitida e que a autonomia do município será respeitada. Essa situação é um reflexo dos desafios enfrentados pelas administrações locais na busca por soluções que equilibrem a inovação e a segurança. O que se espera agora é uma análise cuidadosa por parte do plenário do Supremo, que poderá determinar os próximos passos na regulamentação do transporte de passageiros por mototáxi na cidade.

Em um mundo em que a mobilidade urbana está em constante transformação, é essencial que as políticas públicas acompanhem essas mudanças, garantindo a segurança e o bem-estar de todos os cidadãos. Para aqueles que utilizam serviços de mototáxi, o desenvolvimento de regulamentações apropriadas pode fazer a diferença entre um transporte seguro e um risco à vida.



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