Após PFR alertar sobre os riscos na caminhada do deputado, Nikolas Ferreira se manifesta: “Não ”

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) veio a público negar que sua equipe tenha deixado de comunicar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre a chamada Caminhada pela Justiça e Liberdade, que saiu de Paracatu, em Minas Gerais, com destino a Brasília. A polêmica começou depois que a própria PRF afirmou que não houve aviso prévio formal, o que, segundo a corporação, dificultou o planejamento de ações para reduzir riscos ao longo da BR-040.

A caminhada, que tem caráter simbólico, deve durar cerca de sete dias. A proposta do grupo é chamar atenção para decisões judiciais que setores da direita consideram injustas. Entre as pautas levantadas estão as prisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro, em Brasília, e também a defesa de um tratamento mais digno aos investigados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O tema, como se sabe, segue inflamando debates nas redes sociais e no Congresso, mesmo mais de um ano após os episódios que marcaram a Praça dos Três Poderes.

Diante das críticas, Nikolas afirmou que a comunicação foi feita sim, e que existem documentos que comprovam isso. Segundo o parlamentar, ofícios foram enviados tanto à PRF quanto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Ele rebateu a versão de que o órgão de trânsito teria sido pego de surpresa. “Não faz sentido dizer que não houve aviso”, teria comentado a aliados, em tom de irritação, de acordo com pessoas próximas ao deputado.

O encerramento da caminhada está previsto para este domingo (25), por volta do meio-dia, na Praça do Cruzeiro, em Brasília. A expectativa é reunir apoiadores que devem se somar ao grupo nos últimos quilômetros do trajeto. Nas redes, vídeos mostram pessoas caminhando com bandeiras do Brasil, camisetas verde e amarelas e cartazes com frases pedindo “justiça” e “liberdade”. É um tipo de mobilização que lembra outros atos recentes organizados por grupos conservadores, principalmente após o avanço das investigações do STF.

Já a PRF, em nota, manteve uma postura mais técnica. A corporação informou que acompanha o deslocamento de parlamentares e populares desde Paracatu até o Distrito Federal, monitorando a situação pela BR-040. No entanto, destacou que, por “questões estritamente operacionais e de segurança viária”, decidiu alertar sobre os riscos de um fluxo extraordinário de pessoas em uma rodovia bastante movimentada. De acordo com a polícia, a ausência de comunicação prévia teria impedido a adoção antecipada de medidas para minimizar possíveis acidentes ou transtornos no trânsito.

Nos bastidores, a divergência virou mais um capítulo da tensão constante entre representantes da direita e instituições federais. Para apoiadores do deputado, o episódio reforça a narrativa de perseguição política. Já críticos afirmam que falta organização e responsabilidade em atos desse tipo, principalmente quando envolvem estradas federais e colocam em risco motoristas e os próprios manifestantes.

Vale lembrar que a BR-040 é uma das principais ligações entre Minas Gerais e o Distrito Federal, com intenso tráfego de caminhões, ônibus e carros de passeio. Qualquer movimentação fora do padrão exige planejamento, desvios e, muitas vezes, reforço no policiamento. É aí que mora o ponto central da discussão, mesmo que cada lado conte a história de um jeito diferente.

No fim das contas, a Caminhada pela Justiça e Liberdade segue acontecendo, com ou sem consenso. O ato escancara como o país continua dividido e como eventos políticos ainda reverberam forte no dia a dia. Resta saber se, após o encerramento em Brasília, o debate vai esfriar ou se mais um novo capítulo dessa novela política brasileira está prestes a começar.



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