A terapeuta ocupacional e influenciadora digital Kelen Ferreira comoveu seguidores e amigos ao usar as redes sociais para dividir uma das notícias mais duras de sua vida. Em uma publicação recente, ela contou que Davi, um de seus filhos gêmeos, faleceu quase um mês após o nascimento. A revelação veio acompanhada de uma carta aberta, escrita com o coração na mão, daquelas que a gente lê devagar e precisa parar algumas vezes pra respirar.
Conhecida por sua história de superação, Kelen é uma das sobreviventes do incêndio da Boate Kiss, tragédia que marcou o Brasil em janeiro de 2013. Mesmo acostumada a lidar com dores profundas, ela deixou claro que nada se compara à perda de um filho. Na carta dedicada a Davi, a terapeuta falou sobre o luto, o silêncio da casa e a ausência que insiste em doer todos os dias, em cada detalhe da rotina.
Ainda durante a gestação, Kelen e o marido, Guilherme Gomes, receberam um diagnóstico devastador. Davi foi diagnosticado com SHCE (Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo), uma das cardiopatias congênitas mais graves conhecidas. Segundo ela relata, ouvir que o filho tinha “meio coração” foi como perder o chão. Mesmo assim, a reação foi imediata: buscar informação, correr atrás de médicos, se apegar à fé e tentar, de todas as formas, dar ao bebê a melhor chance possível.
Moradora do Rio Grande do Sul, Kelen explicou que precisou sair do estado para tentar o tratamento adequado. No Sul, as chances de sobrevivência para bebês com essa condição eram mínimas, menos de 1%, segundo os médicos. Já em São Paulo, após a primeira cirurgia, a expectativa de vida ultrapassava 90%. Foi aí que a família decidiu se mudar temporariamente para a capital paulista, transformando a cidade em casa por alguns meses, entre hospitais, consultas e longas esperas.
Em outro trecho emocionante, Kelen falou sem filtros sobre o medo, as incertezas e as lágrimas escondidas. Ela contou que sonhava apenas com algo simples: voltar para casa com a família completa, ela, o marido e os dois filhos. Mas, como ela mesma escreveu, a vida nem sempre respeita nossos planos. Com apenas 28 dias de vida, Davi não resistiu às complicações da cardiopatia, após lutar bravamente, como descreveu a mãe, com a força de um verdadeiro guerreiro.
Mesmo diante da dor, Kelen fez questão de destacar o amor infinito que sente pelo filho. Disse que conversava com Deus todos os dias, pedindo que fosse feito o melhor para Davi, mesmo sabendo que isso poderia significar aprender a viver sem sua presença física. A saudade, segundo ela, é imensa, mas o amor é maior que qualquer dor.

Para quem acompanha sua trajetória, a história de Kelen Ferreira sempre esteve ligada à resistência. Sobrevivente da Boate Kiss, ela carrega no corpo e na alma as marcas da tragédia que matou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos em Santa Maria. Além das queimaduras, Kelen precisou amputar parte da perna direita, uma mudança radical que não a impediu de seguir em frente.

Hoje, ela usa suas redes sociais não só para compartilhar sua rotina, mas também para lutar por justiça em nome das vítimas da Boate Kiss e agora, também, para falar sobre luto, maternidade e amor. A despedida de Davi é mais um capítulo doloroso de sua história, contada com verdade, falhas humanas e um sentimento que atravessa qualquer tela.