Vídeo mostra pastor admitindo ‘surra’ em filho de 10 anos e revolta a internet

Um vídeo que começou a pipocar nas redes sociais neste sábado, dia 24 de janeiro, acabou colocando o pastor Edson Cursino, da Assembleia de Deus Ministério de Taubaté, no meio de uma baita polêmica. As imagens, gravadas durante um culto, mostram o líder religioso contando, sem muito constrangimento, que agrediu o próprio filho, de apenas 10 anos, como forma de “educação” e disciplina dentro de casa.

No vídeo, que rapidamente se espalhou por WhatsApp, Instagram e X (o antigo Twitter), o pastor relata situações de castigo físico aplicadas à criança. Segundo ele, o medo faz parte do método que usa para criar o filho caçula. Em um dos trechos que mais chocaram quem assistiu, Edson conta que utilizou uma vara para bater no menino. Ainda rindo em certos momentos, ele diz que o garoto tentou amenizar a dor vestindo várias calças ao mesmo tempo antes da surra.

A fala, que já causaria indignação por si só, fica ainda mais grave quando o pastor menciona algo que teria acontecido na escola do filho. De acordo com o próprio Edson Cursino, a criança comentou que uma professora teria orientado ele a chamar a polícia caso voltasse a ser agredido em casa. A reação do pai, narrada no púlpito, foi aplicar um novo castigo físico, com a justificativa de “gerar temor” e mostrar quem manda.

O tom do discurso, misturando sermão religioso com relatos de violência doméstica, não caiu nada bem fora do templo. Em poucas horas, o vídeo virou assunto quente nas redes sociais e gerou uma enxurrada de comentários, críticas e também defesas, o que mostra como o tema ainda divide opiniões no Brasil de hoje.

Muita gente lembrou da chamada Lei Menino Bernardo, oficialmente a Lei nº 13.010/2014, que proíbe o uso de castigos físicos ou qualquer tratamento cruel e degradante contra crianças e adolescentes. A legislação, que já tem mais de dez anos, foi criada justamente para coibir práticas que antes eram tratadas como “correção normal” dentro de casa.

“Se isso fosse feito com um adulto, seria agressão. Por que com uma criança vira correção?”, escreveu uma internauta indignada. Outra comentou algo parecido: “Tenho um filho de 10 anos e não consigo imaginar o que ele teria que fazer de tão grave pra eu bater desse jeito. É assustador”.

Por outro lado, como costuma acontecer em casos assim, também surgiram defensores do pastor. Alguns alegaram que a disciplina rígida evitaria que a criança se perdesse no futuro. “Sinal que seu filho vai ser uma pessoa do bem. Esses que não são corrigidos viram a cabeça e ficam nesse mundão sofrendo e passando vergonha”, escreveu um usuário, repetindo um discurso que muita gente já ouviu dos mais velhos.

Especialistas em educação e psicologia, porém, costumam alertar que violência não educa, apenas gera medo, traumas e, muitas vezes, revolta silenciosa. Em tempos em que se fala tanto de saúde mental, inclusive entre crianças, o caso reacende um debate antigo, mas ainda longe de um consenso.

Até agora, o pastor Edson Cursino não se manifestou oficialmente sobre a repercussão do vídeo. Não há informações confirmadas se o caso foi levado ao Conselho Tutelar ou ao Ministério Público. Enquanto isso, o episódio segue sendo compartilhado e comentado, servindo como mais um retrato de como práticas do passado ainda colidem com leis e valores atuais.



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