O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode estar perto de deixar novamente a prisão e retornar ao regime de prisão domiciliar. Pelo menos é isso que aliados mais próximos têm dito nos bastidores de Brasília nos últimos dias. Segundo essas fontes, cresce o otimismo de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorize que Bolsonaro cumpra a pena em casa, alegando questões de saúde.
De acordo com apurações divulgadas pelo jornal O Globo, uma espécie de força-tarefa foi montada por aliados do ex-presidente para tentar sensibilizar ministros do STF. A estratégia, ao que tudo indica, tem sido mais discreta do que em outros momentos. Nada de discursos inflamados ou ataques públicos. A ordem agora é diálogo, cautela e, principalmente, foco na questão médica.
O ponto central dessa possível reviravolta está em uma decisão recente de Alexandre de Moraes que determinou a transferência de Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do complexo da Papuda, em Brasília. O local, conhecido como “Papudinha”, já abrigou outros presos ilustres e é considerado mais estruturado que alas comuns do sistema prisional do DF. Mesmo assim, a defesa insiste que o ambiente não é adequado para o estado de saúde do ex-presidente.
Na mesma decisão, Moraes determinou que Bolsonaro seja submetido “imediatamente” a uma junta médica formada por profissionais da Polícia Federal. A missão dos médicos é avaliar o quadro clínico do ex-presidente e apontar se há, ou não, necessidade de mudança no regime de cumprimento da pena. Só depois desse laudo é que o ministro deve bater o martelo sobre o assunto.
Entre os pontos que a junta médica precisará responder estão perguntas diretas e bem específicas. Uma delas é se a permanência de Bolsonaro na Papudinha representa um “risco aumentado, concreto e previsível” de agravamento das doenças que ele já possui. Outra questão é se a prisão domiciliar seria, de fato, a melhor alternativa para preservar a vida, a integridade física e até a dignidade humana do ex-presidente.
Bolsonaro, vale lembrar, enfrenta problemas de saúde desde a facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018. Desde então, foram várias cirurgias, internações e episódios de complicações intestinais. Aliados reforçam que o estresse da prisão e a rotina do cárcere podem agravar ainda mais esse histórico médico, algo que, segundo eles, não pode ser ignorado nem mesmo em um cenário de condenação.
Um detalhe que chamou atenção nos bastidores foi a postura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo O Globo, ela teria conversado diretamente com Alexandre de Moraes, adotando um tom considerado respeitoso e humilde. Nada de acusações ou embates. Pessoas que acompanham o caso relatam que Michelle evitou qualquer tipo de bravata, apostando em uma abordagem mais humana e menos política.
“Houve um movimento mais forte, ordenado, coordenado, efetivo, uma força-tarefa mesmo para falar com os ministros”, destacou o jornal. A leitura entre aliados é que esse novo estilo de articulação pode estar surtindo efeito, ainda que ninguém admita isso publicamente no STF.
Enquanto isso, o cenário político segue tenso. O caso de Bolsonaro continua dividindo opiniões, tanto nas redes sociais quanto nos bastidores do poder. Para alguns, a prisão domiciliar seria um privilégio. Para outros, uma medida humanitária diante das condições de saúde do ex-presidente. A decisão final agora está nas mãos de Alexandre de Moraes, que aguarda o parecer médico antes de definir os próximos passos.
Até lá, o clima é de expectativa — e silêncio estratégico.