Falece Catherine O’Hara, atriz de “Esqueceram de Mim”, e fãs lamentam perda histórica

A morte de Catherine O’Hara, aos 71 anos, pegou muita gente de surpresa nesta sexta-feira (30). A informação foi confirmada por um representante da atriz canadense ao portal especializado Variety, referência quando o assunto é cinema e televisão. Segundo a publicação, ela faleceu após uma doença breve, que não teve detalhes divulgados, em sua casa, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A notícia rapidamente se espalhou pelas redes sociais e virou um dos assuntos mais comentados do dia, especialmente entre fãs de filmes clássicos dos anos 1990.

Para o grande público, Catherine O’Hara será sempre lembrada como Kate McCallister, a mãe desesperada que esquece o filho em casa em Esqueceram de Mim. Nos dois primeiros filmes da franquia, lançados em 1990 e 1992, ela contracenou com o jovem Macaulay Culkin, dando vida à mãe de Kevin, personagem que marcou gerações e até hoje rende reprises na TV, principalmente em épocas como o Natal. Sua atuação misturava aflição real com um humor meio nervoso, algo que virou sua marca registrada.

Mas a carreira de O’Hara foi muito além desse papel icônico. Antes de conquistar Hollywood, ela começou na televisão canadense, integrando o elenco da série de comédia SCTV Network. Foi ali que seu talento para a improvisação começou a chamar atenção. Não à toa, o trabalho lhe rendeu seu primeiro Emmy, ainda no início da carreira. Ela tinha um timing cômico raro, daqueles que não se aprende em escola, parece que nasce com a pessoa.

Décadas depois, em 2020, veio o segundo Emmy, dessa vez por Schitt’s Creek. Na série, Catherine interpretava Moira Rose, uma matriarca excêntrica, exagerada e ao mesmo tempo frágil. O papel virou fenômeno nas redes, com falas viralizando no TikTok e memes circulando até hoje. Em tempos de pandemia, quando muita gente buscava conforto em séries leves, Moira acabou virando quase um ícone pop inesperado.

Nascida em Toronto, em 1954, O’Hara sempre transitou bem entre a comédia e projetos mais autorais. No cinema, trabalhou com nomes de peso, como Martin Scorsese em Depois de Horas, e Tim Burton em Os Fantasmas se Divertem. Com Burton, aliás, manteve uma parceria duradoura, emprestando sua voz para a animação O Estranho Mundo de Jack, outro título cultuado por fãs até hoje.

Ela também foi colaboradora frequente de Christopher Guest, aparecendo em filmes como Os Grandes Músicos e Por Trás das Câmeras. Nesses projetos, a improvisação era quase regra, e Catherine se destacava justamente por conseguir criar personagens cheios de camadas, mesmo em cenas aparentemente simples. Era o tipo de atriz que roubava a cena sem precisar forçar.

Nos últimos anos, mesmo longe dos holofotes tradicionais, O’Hara continuou ativa. Participou de séries aclamadas como The Last of Us e The Studio, mostrando que conseguia se adaptar a novas linguagens e públicos, algo cada vez mais raro em uma indústria em constante mudança. Em um momento em que Hollywood discute diversidade etária e espaço para atores veteranos, sua presença era vista como um sopro de autenticidade.

A morte de Catherine O’Hara deixa um vazio difícil de preencher. Mais do que personagens marcantes, ela deixa uma trajetória sólida, respeitada e querida pelo público. Para muitos fãs, fica a sensação estranha de perder alguém que, de certa forma, esteve presente em vários momentos da vida, seja numa Sessão da Tarde qualquer ou numa maratona de séries em tempos recentes. Uma atriz única, daquelas que não aparecem todo dia.



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