O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) voltou a chamar atenção fora do Brasil ao usar um espaço de peso internacional para criticar, sem rodeios, figuras centrais da política brasileira. Durante uma passagem pelo Parlamento Europeu, em Bruxelas, o parlamentar mineiro não economizou palavras ao falar do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A conversa aconteceu com o deputado conservador croata Stephen Nicola Bartulica, nos bastidores da VII Cúpula Transatlântica, evento que discutiu temas ligados à liberdade de expressão, democracia e limites do poder estatal. Ali, Nikolas disse o que costuma repetir em solo brasileiro, mas agora diante de lideranças europeias: que, segundo ele, o Brasil vive tempos complicados, com riscos reais à liberdade de opinião.
Sem fugir do assunto, Nikolas afirmou que Lula governa com uma visão socialista e que isso, na prática, acaba resultando em tentativas de controle da internet. Para o deputado, tudo o que foge da narrativa oficial acaba sendo rotulado como “desinformação”. Ele citou a própria experiência como exemplo mais claro disso tudo.
“Eu enfrentei isso diretamente nas eleições passadas”, afirmou. Segundo Nikolas, em 2022, todas as suas redes sociais foram derrubadas por decisão judicial, a mando do ministro Alexandre de Moraes. Ele contou que, naquele momento, ficou praticamente impedido de se comunicar com seus eleitores, algo que considera gravíssimo em um processo democrático. “Foi uma ordem direta do ministro da Suprema Corte”, reforçou.
O tom subiu ainda mais quando o deputado falou especificamente sobre Moraes. Sem meias palavras, Nikolas classificou o ministro como alguém que concentra poder demais. “Ele é como um ditador. Ele decide tudo no Brasil”, disparou, deixando claro que, na sua visão, o problema vai muito além de disputas políticas pessoais.
Segundo Nikolas, não é apenas ele que sofre esse tipo de repressão. O parlamentar disse que cidadãos comuns também vivem sob o medo de terem suas contas bloqueadas ou conteúdos removidos caso expressem opiniões contrárias ao que o sistema considera aceitável. “Se você disser alguma coisa nas redes sociais, talvez a sua conta seja fechada”, afirmou, num alerta que soou forte entre os presentes.
A fala ganhou ainda mais peso por ter acontecido em um evento internacional voltado justamente à defesa da liberdade de expressão. A VII Cúpula Transatlântica reuniu políticos, ativistas e representantes de vários países, muitos deles atentos ao que acontece no Brasil desde os atos de 8 de janeiro de 2023.
No plenário do Parlamento Europeu, Nikolas também discursou oficialmente. Ele relembrou sua trajetória política, falou da caminhada simbólica que fez até Brasília e comentou as prisões relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes. Mesmo sem entrar em detalhes jurídicos, deixou claro que discorda da forma como parte dessas prisões vem sendo conduzida.
A participação de Nikolas no evento repercutiu nas redes sociais, tanto entre apoiadores quanto críticos. Para uns, ele levou ao exterior uma denúncia necessária. Para outros, exagerou no tom e expôs o país de forma negativa. Fato é que o discurso reacende um debate que segue quente no Brasil: até onde vai a liberdade de expressão e onde começa o abuso de poder.
Ferreira: U Brazilu prolazimo kroz teška vremena, budući da trenutačno imamo socijalističkog predsjednika, Lulu.
— Stephen Nikola Bartulica (@StjepoBartulica) February 5, 2026
Kao i svi socijalisti; žele regulirati internet, tvrdeći da je sve što govorimo dezinformacija.@nikolas_dm ugašeni su svi profili na društvenim mrežama uoči… pic.twitter.com/NGJkSbI3O6
No cenário político atual, marcado por polarização e desconfiança, falas como essa dificilmente passam despercebidas. E, goste ou não do deputado, ele conseguiu exatamente o que costuma buscar: jogar luz internacional sobre uma disputa que, ao que tudo indica, ainda está longe de terminar.