O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro voltou ao centro do noticiário político nesta sexta-feira (06), ao quebrar o silêncio sobre o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O assunto, que já vinha rendendo comentários de bastidores em Brasília e nas redes sociais, ganhou um novo capítulo após Bolsonaro prestar depoimento à Polícia Federal.
O motivo da oitiva foi uma declaração antiga, feita em março do ano passado, na qual Bolsonaro sugeriu que Lula teria alguma ligação com o atentado a faca que ele sofreu durante a campanha eleitoral de 2018. Na época, a fala repercutiu mal e foi interpretada por aliados do governo como uma acusação grave, beirando o crime. Agora, diante da PF, o ex-presidente tentou colocar panos quentes na situação.
Segundo relatos, Bolsonaro afirmou que sua publicação teve apenas “contexto de crítica política” e que jamais teve a intenção de ferir a honra pessoal de Lula. Em um depoimento marcado por emoção, ele chegou a responder entre soluços aos policiais, dizendo que não cometeu crime algum. Para ele, a mensagem foi mal interpretada e retirada do contexto em que foi escrita, algo que, segundo sua defesa, acontece com frequência no ambiente polarizado do país.
A fala que gerou toda a confusão foi dura, como costuma ser o tom do ex-presidente nas redes. Na ocasião, Bolsonaro escreveu: “Lula, cachaça, o brasileiro sabe de sua índole e de como você chegou até aqui. Só um imbecil ou um canalha compra esse papo de plano de assassinato. A única pessoa que tentaram matar fui eu, em uma ação de antigo militante do PSol, seu braço político de primeira hora. Não conseguiram! Esse foi o grande erro de vocês, como admitiu José Dirceu”. A declaração circulou rapidamente e voltou à tona agora, com força total.
Especialistas lembram que o crime de injúria, previsto no Código Penal, pode resultar em pena de um a seis meses de detenção, além de multa. Mesmo assim, pessoas próximas a Bolsonaro afirmam que ele está tranquilo e confiante de que conseguirá provar que não houve dolo, ou seja, intenção direta de ofender Lula. Nos bastidores, aliados dizem que o ex-presidente se vê como vítima de perseguição política, discurso que já virou quase um mantra entre seus apoiadores.
Nas redes sociais, como era de se esperar, a reação foi imediata e bastante agressiva. Internautas críticos a Bolsonaro não economizaram palavras. “Como todo covarde, esse delinquente tenta fugir das consequências de seus crimes. Coisa de bandido!”, escreveu um usuário. Outro foi ainda mais direto: “Todo bolsonarista é mentiroso, desumano e cagão”. Comentários assim dominaram as caixas de resposta ao longo do dia.
Houve também quem usasse termos ainda mais pesados. “Na hora que o sapato aperta, o mito, genocida, golpista, ladrão de joias, inelegível e agora quase presidiário se acovarda e desmente o que fez. É um covardão”, disparou um terceiro. Por outro lado, apoiadores de Bolsonaro também se manifestaram. “Tentaram matar o Bolsonaro e até hoje protegem o criminoso. Este não é um país sério”, comentou outro internauta, mostrando que a divisão segue firme.
O episódio acontece em um momento sensível da política brasileira, em que qualquer declaração vira munição. Entre investigações, trocas de farpas e julgamentos públicos nas redes, o caso reforça como o clima segue tenso, mesmo anos após as eleições. Se vai dar em algo mais sério na Justiça, ainda é cedo pra dizer. Mas uma coisa é certa: Bolsonaro e Lula continuam sendo protagonistas de uma novela política que parece longe do último capítulo.