Desafios e Polêmicas do Carnaval de Rua em São Paulo
O Carnaval de rua em São Paulo é um evento que atrai milhões de pessoas todos os anos, mas não é só alegria e diversão. Ultimamente, questões sobre logística e segurança têm se tornado cada vez mais evidentes, principalmente após a realização de desfiles simultâneos e episódios de aglomerações e tumultos que ocorreram neste último pré-Carnaval. De acordo com o Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval de São Paulo, que abrange cerca de 200 agremiações, muitos problemas poderiam ter sido evitados se as alertas feitos pelos próprios blocos tivessem sido ouvidos pela Prefeitura.
A Voz dos Blocos
Em uma entrevista dada à CNN Brasil, o coordenador do Fórum, José Cury Filho, destacou que os coletivos estavam avisando o poder público sobre os riscos operacionais, especialmente em áreas onde grandes atrações se concentravam. “Quem deixaria acontecer o que aconteceu no domingo (8), na Rua da Consolação? Os blocos já estavam tentando avisar o prefeito havia tempo que poderia existir problema com dois mega blocos ao mesmo tempo, praticamente no mesmo local”, afirmou. Essa declaração levanta algumas questões sobre a responsabilidade da administração pública em ouvir as vozes que estão na linha de frente, ou seja, os organizadores dos blocos.
Um Exemplo Notório
Um dos casos mais emblemáticos citados por José foi a participação do bloco da cantora Ivete Sangalo no pré-Carnaval de São Paulo. Ele comentou que até dezembro do ano passado — ou mesmo já no começo de janeiro deste ano — não havia qualquer informação oficial sobre a presença da artista. “Por que o bloco da Ivete Sangalo estava lá no sábado (7), no pré-Carnaval, se até dezembro ninguém sabia que ele estaria no Carnaval de São Paulo?”, questionou. Essa falta de comunicação e planejamento adequado pode ser um sinal claro de que as regras estabelecidas para os blocos não estão sendo respeitadas.
Regras e Segurança
Outro ponto levantado pelo Fórum é a escolha dos locais dos desfiles, que, segundo José, vai contra as diretrizes impostas aos blocos e coloca em risco a segurança do público. Ele observa que o tempo entre o anúncio de uma atração, como o bloco da Ivete Sangalo, e a preparação para o evento (incluindo segurança, estrutura e banheiros químicos) é extremamente curto. “O guia de regras não diz que os blocos precisam zelar pelo espaço? Então por que o bloco da Ivete Sangalo foi para o Ibirapuera e não para o Autódromo de Interlagos, onde caberia todo mundo com mais segurança?”, indagou.
Falta de Comunicação
A falta de diálogo entre a Prefeitura e os coletivos de blocos é um tema recorrente nas falas de José Cury Filho. Ele afirma que essa situação se arrasta há pelo menos três anos. “Até a gestão do então prefeito Bruno Covas, existiam conversas com os coletivos, como o Fórum. Porém, a partir da gestão do prefeito Ricardo Nunes, essa interlocução acabou. Não há espaço nem com a Prefeitura nem com a Secretaria de Cultura. Isso já faz três anos”, disse José. Essa afirmação levanta a questão: como é possível organizar um evento tão grande sem a colaboração de quem realmente entende a dinâmica do Carnaval de rua?
O Que Está em Jogo?
De acordo com José, a Prefeitura não mantém diálogo com os blocos, apenas com produtores culturais e empresários, deixando de lado aqueles que conhecem a prática e a essência do Carnaval. “Oficialmente, nós não conseguimos ajudar a cidade a organizar o Carnaval. A SPTuris faz o evento, mas não conhece as dinâmicas dos blocos. Eles querem saber de espetáculo, do ‘gingatismo’, mas não de como é o funcionamento real da rua”, criticou. Essa falta de compreensão pode levar a uma série de problemas que impactam diretamente a experiência dos foliões.
Por fim, é importante ressaltar que a CNN Brasil procurou a Prefeitura para um posicionamento, mas até o momento não obteve resposta. Enquanto isso, os desafios da logística e segurança no Carnaval de rua de São Paulo permanecem em destaque, e a expectativa é que a administração municipal comece a ouvir mais os que realmente estão envolvidos nesse grande evento cultural.