Após a saída de Carol de Toni do Partido Liberal, o clima dentro da sigla ficou ainda mais pesado. O que já era tensão agora virou quase um racha anunciado. E quem surge no centro dessa nova crise é ninguém menos que Nikolas Ferreira, um dos nomes mais fortes do bolsonarismo jovem, que estaria seriamente cogitando deixar o partido.
Como já foi noticiado, Carol de Toni decidiu abandonar o PL depois de ficar revoltada com a articulação que garantiu a Carlos Bolsonaro, do Rio de Janeiro, a vaga de senador por Santa Catarina. A decisão pegou mal nos bastidores e abriu um precedente perigoso. Agora, outro nome de peso parece caminhar pelo mesmo rumo, e isso preocupa a cúpula do partido.
Nikolas Ferreira, deputado federal por Minas Gerais, não esconde o incômodo com os últimos movimentos do PL. Segundo informações da jornalista Edilene Lopes, do portal Rádio Itatiaia, ele estaria profundamente irritado com a aproximação do partido com o Centrão e com figuras políticas que, segundo ele, não representam os valores que defende. Nos bastidores, a palavra usada é “revolta”.
O parlamentar já declarou publicamente que não mantém boa relação com Eduardo Bolsonaro e com o grupo mais próximo que hoje está nos Estados Unidos. Isso, por si só, já cria um atrito interno. Mas o que realmente teria feito Nikolas perder a paciência foi a tentativa do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, de ampliar o poder da legenda a qualquer custo, principalmente após investidas de Gilberto Kassab, do PSD, sobre partidos como o União Brasil.
Nikolas enxerga essa movimentação como algo “desenfreado”, focado apenas em números e não em ideologia. Para ele, a estratégia de filiar políticos com mandato e chances reais de eleição, mesmo que não compartilhem da mesma linha política, enfraquece o discurso que o levou ao Congresso. E isso estaria sendo difícil de engolir.
Um dos pontos mais sensíveis dessa crise envolve o nome de Eduardo Cunha. Atualmente no Republicanos, o ex-presidente da Câmara, que é evangélico e pretende disputar uma vaga por Minas Gerais, teria encontrado resistência direta de Nikolas. O deputado mineiro teria barrado qualquer apoio do PL à candidatura de Cunha, deixando claro que não aceita esse tipo de aliança.
E não foi só Cunha. De acordo com a reportagem, Nikolas também teria atuado contra a entrada ou fortalecimento de nomes como o delegado Marcelo de Freitas, do União Brasil, Greyce Elias, do Avante, além de Fabinho Ramalho, Aelton Freitas, de Uberaba, e Bráulio Braz. A lista é grande e mostra que o deputado está disposto a comprar briga até com aliados.
O desconforto vai além. Até dentro do próprio PL mineiro há ruídos. A deputada Rosângela Reis, por exemplo, entrou na chamada “lista negra” de Nikolas após votar a favor de pautas do governo federal, como o programa Gás do Povo. Pessoas próximas dizem que ele estaria se sentindo isolado, mas ao mesmo tempo firme em suas convicções.
Diante de tudo isso, Nikolas Ferreira teria marcado uma reunião direta com Valdemar da Costa Neto e com o presidente estadual do PL, Domingos Sávio. O objetivo seria claro: dar um ultimato. Caso o partido não reveja suas decisões e não respeite suas exigências políticas, ele deixará a legenda.
Se isso realmente acontecer, o PL pode enfrentar uma das maiores crises internas dos últimos anos, justamente às vésperas das eleições. E, convenhamos, perder nomes como Carol de Toni e Nikolas Ferreira não é algo simples de contornar. O jogo político segue quente, e os próximos capítulos prometem.