Após constrangimento ao vivo com Bolsonaro, repórter ‘se vinga’ e grava vídeo provocador na Papudinha

Em 2014, quando ainda trabalhava na RedeTV!, a repórter Manu Borges viveu uma daquelas cenas que ficam marcadas pra sempre na memória de um jornalista. Durante uma entrevista, Jair Bolsonaro — que na época era deputado federal e já causava polêmica por onde passava — ironizou a possibilidade de um dia responder criminalmente por seus atos. Riu, debochou, fez pouco caso. A cena rodou a internet, virou meme, mas pra quem estava ali, cara a cara, não teve nada de engraçado.

Agora, mais de uma década depois, o jogo virou. E virou de um jeito que nem roteirista de série política ousaria escrever.

Manu, atualmente no ICL, resolveu recriar o vídeo que protagonizou lá atrás. Só que desta vez o cenário era outro. Em vez do fundo neutro de uma entrevista comum, o contexto era a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, em Brasília, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. A jornalista fez questão de frisar que a prisão do ex-presidente não tem relação com o episódio envolvendo ela no passado. Mas, ainda assim, havia um simbolismo impossível de ignorar.

Com a voz firme, aquela mesma entonação que muita gente reconhece de imediato, ela gravou: “Criminalmente? Sim. Aqui, na Papudinha. Boa estadia aí, valeu? Forte abraço!”. A frase é uma referência direta a um vídeo antigo em que o próprio Bolsonaro usou tom parecido ao falar de Lula, anos atrás. A internet, claro, não perdoou.

O ICL, nova casa da repórter, publicou o vídeo com a legenda em letras garrafais: “AQUI NA PAPUDINHA!”. E completou explicando que Manu recriava o momento em que Bolsonaro debochou ao ouvir que poderia responder criminalmente por seus atos. Agora, segundo o portal, o cenário mudou — e muito.

A repercussão foi imediata. Em tempos de redes sociais aceleradas, onde um story dura 24 horas mas um print é eterno, o vídeo se espalhou em minutos. No X (antigo Twitter), no Instagram, nos grupos de WhatsApp da família que vivem pegando fogo desde 2018, só se falava nisso.

Teve quem comemorasse como se fosse gol em final de campeonato. “Satisfação de ver que TUDO, absolutamente TUDO que ele falou, se voltou contra ele. Grande dia”, escreveu um internauta. Outro, em tom mais bem-humorado, disse: “Pessoal, parem de fazer piadas sobre isso, não estou conseguindo acompanhar o ritmo de vcs e curtir todas”. Já um terceiro foi além e apelou até para o campo espiritual: “A senhora profetizou e Deus cumpriu. Obrigado varoa! Mais crente que os defensores dele”.

E claro, não faltou a clássica teoria do karma. “Não existe karma em outra vida! Pagamos aqui mesmo! O dele, chegou kkkkkkkkk”, comentou mais um usuário, resumindo o sentimento de parte do público.

É curioso como a política brasileira tem dessas voltas. De 2014 pra cá, o país passou por impeachment, pandemia, polarização extrema, eleições apertadas e uma enxurrada de investigações. Muita coisa mudou — inclusive a forma como figuras públicas lidam com declarações do passado. Hoje, qualquer fala pode ressurgir anos depois, como um fantasma digital.

Manu Borges, ao recriar o vídeo, não apenas resgatou uma memória pessoal, mas também expôs essa ironia do tempo. Não foi um discurso longo, nem cheio de dados jurídicos. Foi simples, direto, quase seco. E talvez por isso tenha tido tanto impacto.

No fim das contas, o episódio mistura política, memória e uma dose de revanche simbólica. Uns acham justo. Outros dizem que é desnecessário. Mas uma coisa é fato: a internet brasileira adora um roteiro de “o mundo dá voltas”. E dessa vez, para muitos, a volta foi completa.



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