Dois atores rejeitam interpretar Lula em desfile na Sapucaí

A Acadêmicos de Niterói vai pisar pela primeira vez no Grupo Especial do Carnaval do Rio já causando. A escola estreia no próximo domingo (15) na Marquês de Sapucaí com um enredo que promete dividir opiniões e, claro, render assunto nas redes: uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sim, ele mesmo. Em pleno ano eleitoral, a vermelho e branca resolveu contar a trajetória do petista na avenida.

O detalhe que mais tem dado o que falar, porém, ainda é um mistério: quem vai interpretar Lula no desfile? O nome segue guardado a sete chaves. O que já se sabe é que dois atores conhecidos disseram “não” ao convite.

Segundo a revista Veja, Rui Ricardo Diaz — que viveu Lula nos cinemas e ficou marcado pelo papel — recusou participar por conflitos na agenda. Thomás Aquino também teria sido convidado, mas não topou pelo mesmo motivo: compromissos profissionais já assumidos. Carnaval é lindo, mas contrato é contrato, né.

Nos bastidores comenta-se que um ator da Globo aceitou o desafio. Só que a identidade dele ainda não foi revelada. A escola prefere manter suspense, talvez pra criar ainda mais expectativa. E conseguiu.

Se o intérprete de Lula ainda é segredo, o de Jair Bolsonaro (PL) já foi anunciado. Quem vai representar o ex-presidente é o humorista Marcelo Adnet. Conhecido pelas imitações afiadas e sátiras políticas, Adnet deve trazer aquele tom crítico e irônico que o público já espera. A escolha, aliás, foi vista como estratégica. Carnaval também é palco de crítica social, não dá pra esquecer.

O enredo tem um nome longo e cheio de simbolismo: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A proposta é narrar a trajetória pessoal e política do presidente, desde a infância humilde até a chegada ao Palácio do Planalto. A escola promete emoção, alegorias grandiosas e, claro, muita narrativa política. É samba-enredo com posicionamento.

Vale lembrar que Lula vai disputar a reeleição neste ano, o que torna o desfile ainda mais sensível. Não estamos falando de uma figura histórica distante, mas de um presidente em exercício e em plena campanha. Isso muda tudo. E é aí que começa a polêmica.

Nesta quarta-feira (11), a Justiça Federal entrou na história. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) apresentaram ações contra o enredo da escola. Eles questionavam a legalidade da homenagem, argumentando possível uso indevido de recursos públicos ou promoção pessoal.

Mas o juiz federal Francisco Valle Brum rejeitou as ações. Segundo ele, o instrumento jurídico escolhido — a chamada ação popular — não era adequado para o caso. O magistrado explicou que esse tipo de ação só se aplica quando há risco concreto de dano ao patrimônio público ou à administração, além de eventual ilegalidade. E, na avaliação dele, isso não ficou comprovado.

Ou seja: o desfile está mantido.

Nos bastidores do samba, a decisão foi recebida com alivio. Integrantes da escola já vinham trabalhando nos carros alegóricos, fantasias e coreografias há meses. Barrar tudo a poucos dias da estreia seria um caos, pra dizer o mínimo.

O Carnaval do Rio sempre teve enredos políticos. Quem acompanha sabe. Já vimos homenagens a líderes, críticas a governos e até denúncias sociais pesadas ganhando forma em plumas e paetês. Faz parte da tradição. O que muda agora é o clima polarizado do país, que transforma qualquer referência política em combustível para debates inflamados na internet.

Resta saber como o público vai reagir quando o abre-alas cruzar a Sapucaí. Vai ter aplauso? Vai ter vaia? Talvez os dois. Carnaval é isso: mistura de festa, arte, opinião e, às vezes, confusão também.

Uma coisa é certa: a Acadêmicos de Niterói não vai passar despercebida. E, para uma escola que está estreando no Grupo Especial, isso já é meio caminho andado.



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