Quem passou pelo Sambódromo do Anhembi neste sábado, 14, e deu de cara com a atriz Karol Lannes talvez tenha levado alguns segundos para reconhecer. Aquela menina que marcou uma geração como a pequena Agatha, da novela Avenida Brasil, cresceu — e apareceu toda produzida no segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. Sim, ela mesma. A filha da temida Carminha, personagem eternizada por Adriana Esteves, agora brilha fora da ficção.
Karol curtiu a noite em um dos camarotes mais badalados do Anhembi. Entre um samba-enredo e outro, foi clicada por paparazzi e não fez questão nenhuma de se esconder. Muito pelo contrário. Sorridente, posou, conversou com fãs e mostrou que está numa fase segura, dona da própria narrativa. E olha… estava impossível passar despercebida.
A atriz apostou em um look vibrante, cheio de brilho, daqueles que refletem as luzes da avenida e quase competem com as fantasias das escolas. Era sua primeira vez montando um visual pensado exclusivamente para o Carnaval. “Foi minha primeira vez montando um look de carnaval e assistindo o desfile grudadinha na grade, me emocione tanto, acho que ano que vem quero desfilar”, contou, empolgada, ainda com os olhos marejados. E dava pra ver que não era discurso pronto.
Aliás, quem já assistiu a um desfile ali na grade sabe como é. O chão treme, o peito vibra, e quando a bateria entra rasgando não tem como ficar indiferente. Karol sentiu isso de perto. Em meio ao calor típico de fevereiro, ao som ensurdecedor e a multidão animada, ela parecia realmente conectada com o momento.



Pra quem acompanhou a trajetória dela desde pequena, é curioso perceber como o tempo passou rápido. Em Avenida Brasil, exibida em 2012 e reprisada tantas vezes que virou quase patrimônio cultural, Karol interpretava Agatha, filha da vilã Carminha. A novela foi um fenômeno absurdo de audiência e repercussão, dominava as redes sociais — que naquela época ainda engatinhavam perto do que são hoje — e virou assunto em qualquer roda de conversa.
Mas a carreira de Karol não se resume a esse papel. Antes mesmo do sucesso estrondoso da trama das nove, ela já havia participado de Duas Caras (2007), Ciranda de Pedra (2008) e Tempos Modernos (2010). Passou também pelo cinema. Em 2013, fez uma participação no filme Minha Mãe É uma Peça, dividindo cena com Paulo Gustavo, que nos deixou em 2021 e até hoje faz falta no humor brasileiro. Foi uma experiência breve, mas marcante.
Nos últimos anos, a atriz decidiu investir pesado na formação. Cursou Artes Cênicas na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, buscando aprofundar técnicas e ampliar horizontes. Não ficou parada no tempo, nem presa ao rótulo de “ex-atriz mirim”, que costuma ser uma sombra difícil de escapar.
Recentemente, ela abriu o coração ao falar sobre sua trajetória. “São quase vinte anos de carreira por aqui. E eu sempre sinto vontade de compartilhar tantas coisas com vocês, dicas, bastidores, visões de carreira, decidi começar pelas coisas que acredito da profissão!!”, escreveu. É um desabafo que mistura maturidade e vontade de trocar experiências.
Em outro trecho, completou: “Atuar é muito mais que uma carreira, é um estilo de vida, é a maneira com a qual você enxerga o mundo, transforma suas dores em arte, se alimenta das conexões humanas”. Pode soar poético, talvez até idealista demais pra alguns. Mas quem vive de arte costuma falar assim mesmo, com esse brilho no olhar.
Entre a menina que contracenava com Adriana Esteves e a mulher que hoje pensa em desfilar na avenida, existe uma trajetória feita de altos, baixos, estudos e reinvenções. E se depender da emoção que sentiu no Anhembi, talvez o próximo capítulo dessa história venha com samba no pé e fantasia na avenida. O público, com certeza, vai estar de olho.