Pastor quebra o silêncio após visita a Bolsonaro na Papudinha e expõe clima de medo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu nesta terça-feira, 17 de fevereiro, a visita do pastor Robson Rodovalho na Papudinha, unidade prisional do Complexo da Papuda, em Brasília, onde ele está detido há cerca de um mês. A ida do líder religioso aconteceu justamente um dia depois de Bolsonaro ter passado mal na cela, após um pico de pressão que, segundo relatos, deixou todo mundo em alerta.

De acordo com o pastor, o ex-presidente estava visivelmente assustado. A declaração foi feita nas redes sociais, logo depois do encontro. Ele contou que já havia uma assistência pastoral agendada e que fez questão de manter a visita, mesmo diante do susto da véspera. “Eu o encontrei um pouco mais equilibrado em relação aos soluços, porém ainda assustado pela crise de pressão alta que teve ontem”, escreveu.

A situação chamou atenção porque, segundo pessoas próximas, Bolsonaro vinha se queixando de mal-estar nos últimos dias. Não é segredo que a saúde dele tem sido tema frequente desde a facada sofrida em 2018, durante a campanha eleitoral. De lá pra cá, foram cirurgias, internações e idas e vindas ao hospital. Agora, no ambiente prisional, qualquer alteração gera ainda mais preocupação.

Em conversa com o portal Metrópoles, Rodovalho detalhou um pouco mais como encontrou o ex-presidente. Disse que leu um versículo da Bíblia sobre paz e chegou a cantar uma música religiosa para ele. Segundo o pastor, Bolsonaro parecia mentalmente um pouco melhor, com o rosto mais lúcido, apesar das dificuldades físicas.

“Ele começou a fazer pequenas caminhadas. Andou comigo só para me levar até a parte externa, mas caminhou com bastante dificuldade, meio arrastando a perna”, relatou. A descrição reforça a imagem de fragilidade que aliados têm tentado minimizar, mas que vem sendo mencionada com frequência por quem o visita.

O religioso também afirmou que o quadro geral é “sofrido”. A palavra foi essa mesmo. Ele disse acreditar que haverá recuperação, mas reconheceu que o momento é delicado. “Hoje foi a primeira vez que ele falou em esperança”, contou, demonstrando certo otimismo, ainda que cauteloso.

Na noite anterior, segunda-feira (16), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou as redes sociais para atualizar o estado de saúde do marido. Segundo ela, Bolsonaro teve tontura e apresentou um pico de pressão, sendo atendido pelo médico plantonista da unidade. O quadro teria sido estabilizado ainda na mesma noite.

O episódio reacendeu debates nas redes sociais. De um lado, apoiadores manifestaram preocupação e enviaram mensagens de fé. Do outro, críticos questionaram privilégios e a atenção médica recebida. A polarização que sempre marcou a trajetória política de Jair Bolsonaro continua firme, mesmo atrás das grades.

Nos bastidores políticos de Brasília, o clima é de expectativa. Há quem diga que o estado emocional pesa tanto quanto o físico. Afinal, a mudança brusca de rotina, o isolamento e a pressão constante podem afetar qualquer pessoa. E isso é algo que, goste-se ou não dele, precisa ser considerado.

O fato é que Bolsonaro enfrenta talvez um dos momentos mais difíceis da sua vida pública e pessoal. Entre crises de saúde, incertezas jurídicas e visitas pastorais, a palavra “esperança” dita por ele, segundo o pastor, soa como um sinal de que ainda tenta manter alguma força interior. Resta saber como os próximos dias irão se desenrolar — e se o quadro clínico realmente vai melhorar ou se novos sustos ainda estão por vir.



Recomendamos