Personalidades detonam apresentação que zombou de evangélicos

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que passou pela Marquês de Sapucaí neste domingo (15), ainda está dando o que falar — e não é pouco. A apresentação, que trouxe como enredo uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acabou provocando uma verdadeira enxurrada de críticas por parte de políticos, líderes religiosos e artistas do meio gospel.

O ponto que mais causou revolta foi uma ala batizada de “Neoconservadores em conserva”. Isso mesmo. Os integrantes desfilavam com fantasias em formato de lata, como se fossem produtos enlatados de supermercado. A crítica, claramente direcionada a setores conservadores da sociedade, teve como principal alvo o público evangélico. E aí o caldo entornou de vez.

Nas redes sociais, a reação foi imediata. O cantor gospel Isaias Saad publicou em seu Instagram uma montagem feita com inteligência artificial onde ele e sua família aparecem estampados em uma lata com a frase “Família em Conserva”. A imagem viralizou entre seus seguidores.

Na legenda, ele escreveu um texto emotivo, quase um desabafo. Disse que chamam de ultrapassado, que riem, que transformam em fantasia. Mas reforçou que, em um mundo onde “valores, promessas e casamentos estragam rápido”, Deus continua preservando aquilo que é colocado em Suas mãos. “Não somos perfeitos. Somos guardados”, afirmou. Segundo ele, o que Deus conserva o tempo não destrói e a opinião alheia não derruba. Foi uma resposta direta, mas sem citar nomes.

Outro que se manifestou foi o cantor Samuel Messias. Em tom mais firme, declarou que ele e sua família seguem sem negociar princípios ou relativizar a verdade. Citou o versículo bíblico de Josué 24:15 — “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” — e destacou que sua casa pertence a Deus. A publicação também teve grande engajamento, com milhares de comentários de apoio.

A influenciadora cristã Fabiola Melo também entrou no debate. Ela fez questão de explicar o significado da palavra “conservar”: manter, preservar, guardar. Disse que deseja conservar os valores, preservar a integridade dos filhos e guardar a palavra de Deus até o fim. Uma fala simples, mas que ecoou forte entre seus seguidores.

Já o pastor Josué Valandro Jr., presidente da Igreja Batista Atitude, adotou um tom mais conciliador, porém crítico. Declarou que, se há um lado que odeia a família, o amor à pátria e os valores cristãos, ele prefere estar do outro lado. E completou dizendo que é “tão conservador” que é capaz de amar até quem agride e faz chacota, lembrando que Jesus morreu por todos.

No campo político, o vereador Rafael Satiê (PL-RJ) afirmou que o desfile zombou do principal pilar de uma sociedade saudável: a família. Segundo ele, não é coincidência que os mesmos que relativizam esse tipo de representação, depois apareçam em igrejas pedindo voto e defendendo valores cristãos. Ele alertou para a importância da memória política, especialmente em ano pré-eleitoral, quando discursos mudam conforme a conveniência.

Para Satiê, ironizar a imagem de uma família estruturada revela um incômodo com famílias fortes e unidas. “Uma sociedade firmada na família é mais difícil de manipular”, escreveu. Uma frase que, goste-se ou não, resume bem o sentimento de quem se sentiu atacado.

A pastora Raquel Lima também citou o mesmo versículo de Josué e declarou que servir ao Senhor nunca será motivo de vergonha. Finalizou com uma frase direta e carregada de emoção: “Eu amo a minha família”.

No fim das contas, o desfile que era pra ser só festa virou debate nacional. Carnaval sempre teve crítica, sátira e provocação — faz parte da cultura. Mas quando mexe com fé e família, a reação vem forte, rápida e sem filtro. E, pelo visto, essa discussão ainda vai render bastante nos próximos dias.



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