Após reação de igrejas, governo Lula toma atitude que surpreende após desfile polêmico

Enquanto a oposição sobe o tom e parte dos líderes evangélicos transforma o assunto em sermão de domingo e corte de vídeo no Instagram, o clima no Palácio do Planalto é de quase… normalidade. Pelo menos é o que dizem nos bastidores. O episódio envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval virou combustível nas redes, mas dentro do governo a avaliação é de que o barulho é maior do que o estrago real.

Segundo a CNN Brasil, auxiliares diretos do presidente acreditam que o desgaste provocado pelo desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que prestou homenagem a Lula na Marquês de Sapucaí, tende a perder força nas próximas semanas. A palavra mais repetida entre assessores é “temporário”. Eles repetem isso quase como um mantra.

Nos corredores do Planalto, a leitura é simples: Carnaval passa. Polêmica também. A aposta é que o eleitor médio — inclusive o evangélico — tem preocupações mais urgentes na mesa do café, como preço dos alimentos, emprego e segurança. E, convenhamos, 2026 ainda parece longe, apesar de já ter muita gente em ritmo de pré-campanha.

Claro que ninguém ignora o incômodo. O governo reconhece, ainda que reservadamente, que o diálogo com o público evangélico sempre foi um terreno meio minado. Desde 2022 isso é assunto recorrente. Há uma consciência de que qualquer ruído pode virar munição para adversários. Mesmo assim, a avaliação interna é que a homenagem na avenida não muda o jogo de forma estrutural.

Um assessor resumiu a situação da seguinte forma: “A internet cria ondas, mas nem toda onda vira tsunami”. A frase é quase poética, embora um pouco ensaiada demais.

Enquanto isso, outros problemas considerados mais espinhosos tiram o sono da equipe econômica. A crise do Banco Master, que entrou em processo de liquidação extrajudicial, é vista como um risco muito mais concreto. Diferente do desfile, que gera desgaste simbólico, uma turbulência financeira pode respingar direto na economia real — e aí o impacto político costuma ser mais profundo e menos previsível.

Nos bastidores jurídicos, o clima também é de relativa tranquilidade. Há quem diga que o governo escapou de uma dor de cabeça maior graças a uma articulação silenciosa. Segundo relatos, houve pressão — discreta, mas firme — para que a primeira-dama Janja e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, não participassem do desfile na Sapucaí.

O recuo das duas foi interpretado como estratégico. Sem integrantes do alto escalão desfilando, eventuais ações da oposição no Tribunal Superior Eleitoral perderiam força. A avaliação é que, juridicamente, o risco ficou muito menor. Em outras palavras, se houver questionamento, a responsabilidade recai sobre a escola de samba, não sobre o governo federal.

Aliados do presidente tratam o episódio como “muito barulho por pouco”. Dizem que a indignação mais intensa está concentrada nas bolhas digitais, onde tudo ganha proporções gigantescas em questão de minutos. Fora dali, argumentam, o tema não teria a mesma tração.

Mas política não é ciência exata, e o Planalto sabe disso. Ainda que o discurso oficial seja de calma, há monitoramento constante das redes e das pesquisas qualitativas. Ninguém quer ser pego de surpresa. A experiência recente mostrou que narrativas podem crescer rápido quando encontram terreno fértil.

Por ora, o sentimento predominante no governo é de que o Carnaval cumpriu seu papel de espetáculo e polêmica — e que, como todo desfile, tem hora para acabar. Resta saber se, quando as luzes da Sapucaí se apagam de vez, o assunto realmente some ou se volta como enredo fora de época. Na política brasileira, a gente já viu de tudo.



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