Flávio não fica calado e fala sobre rebaixamento de escola que homenageou Lula

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) resolveu comentar, nesta quarta-feira (18), o rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói depois do desfile no Carnaval do Rio. A agremiação entrou na avenida com um enredo dedicado à trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, no fim das contas, acabou caindo de divisão após a apuração das notas. Foi aquele balde de água fria que ninguém gosta de receber, ainda mais depois de meses de preparação.

Nas redes sociais, Flávio não economizou palavras. Fez crítica dura, direta, sem muito rodeio. Para ele, a escolha do tema foi um erro — estratégico e também simbólico. Disse que não se deve zombar dos projetos de Deus, relacionando o resultado na avenida a algo maior, quase espiritual. Um discurso que mistura política com religião, algo que, convenhamos, tem sido cada vez mais comum no Brasil de hoje.

“Os projetos de Deus não se zomba! Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba-enredo. Nunca nos esqueçamos: família é algo sagrado. Depois dessa escola, o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT”, escreveu o senador. A postagem rapidamente viralizou. Em poucos minutos já tinha milhares de comentários, compartilhamentos e, claro, aquela guerra digital que a gente já conhece bem.

De um lado, apoiadores bateram palma, concordaram, disseram que foi “profético”. Do outro, críticos acusaram o parlamentar de politizar o Carnaval, que deveria ser festa, cultura popular, arte. Teve gente lembrando que escola de samba sempre falou de política, desde a ditadura até os dias atuais. Outros disseram que misturar Deus com nota de jurado já é forçar demais a barra. E assim segue o Brasil, dividido até quando o assunto é tamborim.

O presidente Lula, por sua vez, marcou presença na Marquês de Sapucaí para acompanhar o desfile que exaltou sua trajetória. A ida dele ao sambódromo também deu o que falar. Teve aplauso, teve crítica, teve meme circulando nos grupos de WhatsApp — inclusive comparando com anos anteriores, quando a presença de políticos na avenida gerou reações parecidas.

O curioso é que estamos em ano pré-eleitoral. E tudo ganha uma dimensão maior. Um desfile que poderia ser apenas uma homenagem virou munição política. Um rebaixamento técnico se transformou em debate ideológico. Parece exagero? Talvez. Mas é o clima que estamos vivendo. Basta abrir o X (antigo Twitter) ou o Instagram para ver que cada detalhe vira narrativa.

A Acadêmicos de Niterói apostou alto ao escolher um enredo centrado na figura de Lula. Não é novidade que escolas de samba busquem temas que gerem impacto. Só que impacto demais também cobra seu preço. Alguns especialistas em Carnaval comentaram que o conjunto da obra teve falhas técnicas — evolução irregular, problemas de harmonia — mas no meio da gritaria política esses detalhes quase se perdem.

No fim das contas, o rebaixamento reacendeu uma discussão antiga: até onde vai a liberdade artística no Carnaval e onde começa a disputa política? É difícil separar as coisas, principalmente num país onde tudo acaba virando Fla-Flu ideológico.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue usando suas redes como palanque digital. Lula mantém sua agenda pública e seus apoiadores defendem que a homenagem foi legítima. E a escola, agora, vai ter que se reorganizar para tentar voltar por cima no próximo ano. Carnaval é assim: um ano você brilha, no outro aprende na marra.

E o Brasil? Continua assistindo, debatendo, brigando nos comentários — porque aqui até samba-enredo vira capítulo de disputa nacional.



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