O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a usar as redes sociais nesta quinta-feira (19) para comemorar o arquivamento de mais uma investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão partiu do Ministério Público Federal e rapidamente virou munição política no perfil do parlamentar no X, antigo Twitter, que não perdeu tempo e escreveu que “as farsas” contra o pai estão caindo uma por uma.
O tom foi de vitória. Para apoiadores, trata-se de mais uma prova de que as acusações não se sustentariam. Já críticos dizem que o cenário jurídico ainda está longe de um ponto final. A verdade é que, goste-se ou não, o sobrenome Bolsonaro continua no centro do debate nacional, principalmente em um momento em que o país já começa a respirar os bastidores das eleições de 2026.
Flávio, que é senador pelo Rio de Janeiro, tem se mantido ativo nas redes, sempre defendendo o pai e reforçando a narrativa de perseguição política. Não é novidade. Desde o fim do mandato presidencial, o ex-chefe do Executivo enfrenta uma série de questionamentos e investigações. Algumas avançaram, outras foram arquivadas. E é justamente esse vai e vem que alimenta o discurso mais inflamado.
Mas enquanto celebrava o arquivamento, outro assunto movimentava os corredores do Partido Liberal. O senador não participará da reunião da sigla marcada para esta sexta-feira (20), em Goiânia. Ele está fora do país e só deve retornar ao Brasil no domingo. A ausência pegou alguns aliados de surpresa — ou pelo menos atrapalhou planos que estavam sendo desenhados nos bastidores.
Entre os nomes que circulam nessa história está o deputado estadual Wilder Morais, que é filiado ao PL em Goiás. Nos corredores da política goiana, comentava-se que ele estaria contando com a presença de Flávio para reforçar sua pré-candidatura ao governo do estado. A expectativa da visita teria sido usada como trunfo, uma espécie de “olha quem está comigo”.
Segundo relatos de integrantes do partido, Wilder teria sinalizado a colegas que teria o respaldo do senador. A estratégia faria sentido: colar a imagem ao clã Bolsonaro ainda rende capital político em determinados redutos eleitorais. Em Goiás, especialmente entre o eleitorado mais conservador, o sobrenome pesa. E pesa bastante.
Só que a tal presença não vai acontecer. Fontes internas garantem que Flávio não comparecerá ao encontro e que nunca houve confirmação oficial de apoio à pré-candidatura. Isso muda o jogo. Na política, expectativa frustrada costuma ter efeito dominó. O que era discurso forte vira silêncio constrangedor.
A reunião do PL em Goiânia, que prometia ser um palco de demonstrações de força, agora deve seguir outro roteiro. Sem a figura do senador, o evento perde parte do simbolismo que alguns aliados esperavam explorar. E, convenhamos, em ano pré-eleitoral cada gesto conta. Cada ausência também.
Nos bastidores, comenta-se que a movimentação acabou reconfigurando o tabuleiro interno da legenda no estado. Outros nomes que disputam espaço podem ganhar fôlego. Política é dinâmica, quase imprevisível. Hoje se anuncia apoio, amanhã se desmente, depois se recalcula a rota. É assim que funciona — meio caótico, meio estratégico.
Enquanto isso, no plano nacional, o arquivamento celebrado por Flávio serve como combustível para o discurso de que o ex-presidente segue forte politicamente. Mesmo fora do cargo, Jair Bolsonaro continua sendo uma peça central no xadrez da direita brasileira. E cada decisão judicial vira argumento, seja para defesa ou ataque.
No fim das contas, o episódio mostra como Brasília e os estados estão conectados por fios invisíveis. Uma publicação no X repercute em Goiânia. Uma ausência em reunião mexe com pré-candidaturas. E o eleitor, que acompanha tudo pelo celular, tenta entender quem está com quem — e até quando.
As farsas contra @jairbolsonaro vão cair uma a uma. Não falha nunca! pic.twitter.com/s1PVzlxVsd
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) February 19, 2026