Ator Moisés Trindade é assassinado a tiros em Salvador; crime foi presenciado pela mãe, pai e filhos da vítima

O assassinato do ator Moisés Trindade, de apenas 33 anos, caiu como uma bomba em Salvador na noite da última segunda-feira (23). A cidade, que já anda tão acostumada a notícias difíceis, parou por alguns minutos quando a informação começou a circular nos grupos de WhatsApp e depois tomou conta do Instagram. O crime aconteceu no bairro da Calçada, uma região bastante movimentada, perto do tradicional Plano Inclinado. E o que deixou tudo ainda mais doloroso foi o fato de que os dois filhos do ator e os pais dele estavam presentes na hora dos disparos.

Segundo informações divulgadas pela TV Bahia, o ataque aconteceu por volta das 19h. Era início de noite, horário em que muita gente está voltando do trabalho, esperando ônibus ou abrindo os comércios. Testemunhas contaram que Moisés estava na Travessa Bartholomeu quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. Eles chegaram já atirando, sem dar chance de defesa. Depois dos disparos, fugiram rapidamente, como quase sempre acontece nesses casos, deixando para trás o desespero e uma cena dificil de esquecer.

Quem mora na região disse que ouviu os tiros e, no começo, achou que fosse fogos — infelizmente uma confusão comum em bairros movimentados. Mas não demorou para o clima mudar. Gritos, correria, gente chorando. E ali, no meio da rua, a família do ator assistindo tudo, impotente. É uma imagem que machuca só de imaginar.

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada às pressas. Só que, quando os socorristas chegaram, já não havia mais o que fazer. Moisés estava sem vida. A confirmação abalou quem estava por perto. Vizinhos se aproximaram, alguns tentaram consolar os pais dele, outros tentavam proteger as crianças daquela cena tão brutal. Não tem preparo que dê conta de algo assim.

Nas redes sociais, as homenagens começaram quase que imediatamente. Moisés se apresentava como integrante dos grupos Fatos de Favela e Pé no Chão, projetos que vinham ganhando espaço na internet, especialmente entre o público jovem. Os vídeos falavam do cotidiano das comunidades, mostravam dificuldades reais, mas também buscavam passar uma mensagem de consciência, de escolha por caminhos diferentes da criminalidade. Em tempos em que tanto se discute violência urbana, ele tentava fazer a parte dele através da arte.

Além do trabalho como ator e produtor de conteúdo, Moisés tinha inaugurado recentemente um bar. Amigos comentaram que ele estava animado com essa nova fase, cheio de planos, falando em expandir o negócio, fazer eventos culturais, dar oportunidade para artistas locais. Era um cara descrito como trabalhador, presente na vida dos filhos, daqueles que correm atrás mesmo quando as portas parecem fechadas.

O caso agora está sendo investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios. A polícia informou que está analisando imagens de câmeras da região, ouvindo testemunhas e realizando diligências para identificar os autores e entender a motivação do crime. Até o momento, ninguém foi preso. E essa espera por respostas só aumenta a angústia da família.

Salvador, que recentemente já vinha debatendo segurança pública após outros casos de violência que ganharam repercussão estadual, volta a encarar uma realidade dura. A morte de Moisés não é só mais um número nas estatísticas. É uma história interrompida, dois filhos que crescem com uma ausência irreparável e pais que enterram um filho — algo que nunca deveria acontecer.

No fim das contas, fica aquele sentimento de revolta misturado com tristeza. Mais um talento perdido, mais uma família destruída. E a pergunta que ecoa nas ruas da Calçada é simples, mas pesada: até quando?



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